Anarquistas controlados pela PSP

Caso raro numa  manifestação anti-NATO: não houve montras  partidas nem bastonadas da Polícia. Só jogo de nervos...

Uma jovem portuguesa foi ontem a única detida, depois de uma tarde de tensão entre grupos anarquistas/activistas anti-NATO e a Polícia. "Foi uma detenção preventiva e só para identificação", confirmou ao DN o superintendente Jorge Barreira.

A tensão começou quando o grupo que não estava autorizado pela organização da campanha "Paz sim! NATO não!" se mostrou pronto a entrar na comitiva. Vigiados por agentes da PSP à civil, os jovens entraram no fim da marcha em frente ao edifício do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade.

Entraram em acção os homens da Unidade Especial de Polícia (UEP), que cercaram o grupo por todos os lados. "A caixa está feita e, neste momento, estamos numa proporção de três polícias para cada um", dizia a um colega Magina da Silva, responsável pela UEP .

Se na altura se encontravam cerca de cem manifestantes na "caixa", o número foi aumentando até cerca de 300 ao longo da Avenida da Liberdade. O momento de maior tensão aconteceu perto da sede de candidatura de Cavaco Silva à Presidência, ao fundo da Avenida da Liberdade, quando os activistas tentaram desviar-se.

Magina da Silva, sempre com o rádio em punho, mandou alterar a posição dos homens. Fizeram uma nova caixa, enquanto os activistas tocavam bombos e djambés no seu interior.

Entre empurrões de alguns manifestantes aos polícias, o grupo de activistas rumou ao Rossio. Neste momento, já a jovem estava detida depois de se lançar contra agentes policiais. Tentava sair da caixa de segurança - antes tinha forçado a entrada.

Pedro Xavier, de 18 anos, um dos activistas "encaixados", disse ao DN como se sentia: "Seguro", ironizou. Mas discriminado. "Não somos desordeiros. Esse é o estigma dos movimentos anarquistas que tem de ser combatido."

Ninguém atirou pedras e não foi necessário recorrer à força", resumiu um responsável policial.

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