Procuradores chamaram 'estúpido' ao povo português

Para o bastonário da Ordem dos Advogados, o processo Freeport 'nasceu contra uma pessoa, de uma denúncia que era anónima'

O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, disse que os procuradores do caso Freeport estão a chamar 'estúpido' ao povo português, quando alegam falta de tempo para não terem inquirido o primeiro ministro.

Em declarações hoje à agência Lusa, Marinho Pinto considerou lamentável que o inquérito tenha sido encerrado com os procuradores Vítor Magalhães e Paes Faria a colocarem no despacho final as 27 perguntas que gostariam de ter feito a José Sócrates, mas que não o fizeram alegando falta de tempo.

'Encerram o inquérito e têm lá 20 e tal perguntas que dizem que não puderam fazer por falta de tempo. Isso é chamar estúpido ao povo português', afirmou.

Para o bastonário, o processo Freeport 'nasceu contra uma pessoa, de uma denúncia que era anónima, mas não era anónima, que foi combinada, e ao fim de seis anos essa pessoa que foi denunciada, acusada de tudo na comunicação social, não foi ouvida por nenhum investigador'.

Tudo isto, segundo Marinho Pinto, 'só é possível porque os procuradores estão convencidos, aliás têm a certeza, de que podem fazer o que lhes apetece porque sabem que nada lhes acontece'. Marinho Pinto classifica de 'aberração' a forma como o Ministério Público (MP) atua e diz que este procedimento tem 'consequências nefastas para o Estado de direito'.

Em entrevista escrita ao Diário de Notícias, o procurador geral da República, Pinto Monteiro, admite, a propósito do processo Freeport, que 'nunca conheceu um despacho igual, nem tem memória de alguém lho referir'.


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