Oposição aperta o cerco ao procurador

As críticas aos procuradores que fecharam a investigação ao Freeport e ao papel do Sindicato dos Magistrados deixaram Pinto Monteiro de novo debaixo do fogo da oposição. Da esquerda para a direita, os partidos exigiram explicações - mas só um pediu, indirectamente, a sua demissão: o PSD.

Paula Teixeira da Cruz foi a primeira a reagir à entrevista ao DN. A número dois do PSD disse que não só o procurador-geral da República mas também quem propôs a sua nomeação - o Governo - devem "tirar consequências" das suas declarações. Fazendo um balanço muito crítico do mandato do procurador escolhido pelo Governo de José Sócrates, Teixeira da Cruz chegou a acusar Pinto Monteiro de contribuir "fortemente para a degradação da imagem da justiça em Portugal".

Sobre o facto de Pinto Monteiro comparar os seus poderes aos da Rainha de Inglaterra, a "vice" social-democrata disse que, sempre que há uma intervenção do PGR, ou das hierarquias de que dependem directamente do PGR, "a verdade é que nos temos deparado com situações muito pouco claras para a opinião pública".

Na seu anteprojecto de revisão constitucional, o PSD não propôs alterações aos poderes do procurador, mas o deputado Luís Montenegro disse que o partido estará disponível para o debate, se o PS apresentar uma proposta.

Opinião diferente tem o Bloco de Esquerda. Ao DN, Helena Pinto lembrou que o procurador tem os mesmo poderes que os seus antecessores. A deputada bloquista lamentou que "num momento de crise e dificuldade do Ministério Público, de fracasso das investigações, o PGR lave as suas mãos como Pilates".

O PCP, por seu lado, saiu em defesa do Sindicato dos Magistrados. Depois de considerar as declarações de Pinto Monteiro um "passa-culpas", Jorge Cordeiro, da comissão política, disse que o sindicato tem denunciado as pressões em muitos processos de investigação".

O CDS, em comunicado assinado por Luís Lobo D'Ávila, disse que a entrevista foi "uma triste demonstração do estado de balcanização do Ministério Público".

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