DCIAP em silêncio sobre "falta de confiança"

Cândida Almeida e PGR não comentam o que os procuradores do processo foram dizer aos membros do Serious Fraud Office.

A directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, continua em silêncio após o DN ter divulgado que os procuradores responsáveis pelo processo Freeport demonstraram não ter confiança na também procuradora-geral adjunta.

Nas últimas semanas, a procuradoria até ripostou publicamente quando se sentiu acossada pelas notícias que sugeriam que os procuradores do processo Freeport não tiveram total liberdade para agir. Primeiro, foi o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que, em declarações ao DN, revelou sentir-se impotente para resolver algumas situações no Ministério Público, dizendo que tinha "os poderes da Rainha de Inglaterra".

Depois foi Cândida Almeida que também não se coibiu de reagir aos ataques de que foi alvo na imprensa. Surgiram notícias que davam conta que os investigadores ingleses mostraram interesse em investigar José Sócrates, mas que a directora do DCIAP os havia impedido de o fazer. Cândida Almeida acabaria por responder dizendo ao DN que essa notícia - publicada pelo Correio da Manhã - era "falsa". A directora do DCIAP anunciou ainda que irá "agir criminalmente contra as testemunhas e participantes na notícia".

No entanto, desta vez, a procuradora optou pelo silêncio. Pelo menos até agora. O DN tentou ontem, sem êxito contactar, Cândida Almeida. Também o procurador- -geral da República vai ficar em silêncio nas próximas duas semanas. A assessoria de Pinto Monteiro informou que o PGR se en- contrará de férias nos próximos quinze dias, remetendo as respostas para as anteriores declarações.

Fica assim sem reacção ao facto de os procuradores encarregados do processo Freeport, Vítor Magalhães e Paes de Faria, terem revelado - numa reunião conjunta em Haia com as autoridades inglesas - que preferiam não ter a directora Cândida Almeida presente. O caso remonta a Fevereiro de 2009, quando o Serious Fraud Office registou que os dois procuradores do Freeport tinham "falta de confiança na hierarquia" do Ministério Público, ou seja, na directora do DCIAP, Cândida Almeida.

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