Ruptura/FER: "Francisco Louçã devia ter-se demitido"

O líder do movimento Ruptura/FER, Gil Garcia, considerou hoje que o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, deveria ter pedido a demissão após o "desastre" do partido nas eleições legislativas, onde desceu de 16 para oito deputados.

"Foi uma grande derrota mas, era uma derrota anunciada. Francisco Louçã devia ter-se demitido é óbvio, pois conduziu o Bloco de Esquerda (BE) a este desastre, apesar de ter sido avisado", disse hoje à agência Lusa o líder da Ruptura/FER (Frente de Esquerda Revolucionária), corrente minoritária do Bloco de Esquerda.

Gil Garcia disse à Lusa que a direcção do partido foi avisada de que o BE estava "à beira de uma derrota", pois foram cometidos muitos erros.

"Nos assinalámos inúmeros erros mas a direção não quis corrigir. Em primeiro lugar foi a aproximação ao PS que conduziu o país ao desastre económico e que o entregou ao crédito internacional e ao FMI com todo o peso que isso vai significar para a população portuguesa, e por outro lado o BE esteve associado à candidatura de presidencial do próprio partido do Governo. Agora está a pagar o preço", salientou.

O coordenador do BE, Francisco Louçã, assumiu domingo ser "o primeiro dos responsáveis" nos resultados do partido nas eleições legislativas, mas garantiu que, apesar da derrota, os bloquistas não estão "vencidos".

Na opinião de Gil Garcia, Francisco Louçã conduziu o BE a "esta derrota estrondosa" e, por isso, deveria ter-se demitido "logo".

Quanto aos resultados gerais das eleições legislativas, o líder da Ruptura/FER disse que não foram uma surpresa.

"Acho que os responsáveis pela vitória da direita foram como se diz na linguagem do futebol mérito da esquerda e não da direita. A responsabilidade é da política que os três maiores partidos tiveram no último ano e meio", considerou.

Gil Garcia lamentou que o PSD tenha ganho as eleições, considerando que o futuro Governo social-democrata "vai fazer pior" que o de José Sócrates.

"Considero que as pessoas, dentro em breve, para salvar empregos e salários vão ter de sair à rua para manifestar-se porque o que aí vem é 'socratismo' ao quadrado e isso vai ser muito negativo para o país", concluiu.

O PSD venceu as eleições com 38,6 por cento, elegendo 105 deputados, o PS obteve 28 por cento (73 deputados), o CDS-PP 11,7 por cento (24 deputados), o PCP 7,9 por cento (16 deputados) e o Bloco de Esquerda 5,2 por cento (oito deputados).

Em 2009, o Bloco alcançou 16 mandatos e mais de 557 mil votos, quando no domingo ficou-se pelos 288 mil.

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