Miguel Portas não vai integrar próxima Comissão Política

O fundador e eurodeputado do BE, Miguel Portas, revelou hoje que não vai fazer parte da próxima Comissão Política do partido e vincou que não é candidato a substituir Francisco Louçã na sua liderança.

Num texto publicado na sua página do Facebook, intitulado "Bloco I - A questão da liderança", Portas considera que "a expressividade" da derrota nas eleições legislativas coloca, "queira-se ou não, um problema de credibilidade à actual direcção que é, embora com renovações significativas, a da fundação".

Miguel Portas diz que irá integrar a Mesa Nacional do BE e conta cumprir o mandato parlamentar de eurodeputado até ao fim.

"Mas já não farei parte da próxima Comissão Política", adiantou, dizendo actuar "em coerência" com o que defende.

Os 80 membros da nova Mesa Nacional do BE, eleita na VII Convenção, tomam posse no dia 18 de junho e dela sairá a nova Comissão Política.

A lista de Francisco Louçã elegeu 65 elementos para a Mesa Nacional.

"Isto responde a todas as perguntas que me façam sobre putativas lideranças. Não sou candidato a substituir ninguém, muito menos Francisco Louçã, que conheço de antes do 25 de Abril, com quem muitas vezes me entendi e excepcionalmente me desentendi, e de quem, acima de tudo, sou amigo", acrescentou.

No seu texto, o dirigente e fundador do BE - vindo da Política XXI -- considerou que "assumir que existe um problema de 'refresh' (refrescar) na direcção bloquista não é 'pecado'" e que isso "envolve tanto o Francisco Louçã, como o Luís Fazenda, o Fernando Rosas" ou ele próprio.

"Não sou favorável a um ajuste de contas por causa de maus resultados. Sou favorável a uma renovação legitimada da equipa dirigente, feita em tempo útil, com soluções criativas e mantendo unida a articulação que tem dirigido o partido", advogou.

Portas defendeu que há no partido "várias questões de orientação e de prática política para resolver" e que "é no contexto deste debate e não fora dele que se coloca o problema do 'refresh': Estamos 13 anos mais velhos e não fizemos tudo o que podíamos para distribuir responsabilidades às gerações que já nasceram para o combate político no BE".

Miguel Portas assinalou que já antes da última Convenção do partido tinha exposto a sua opinião de que "é tempo do BE preparar a passagem de testemunho dos fundadores para as gerações mais novas", mas disse rejeitar a demissão de Francisco Louçã.

"Se Francisco Louçã se tivesse demitido na noite dos resultados, eu tê-lo-ia criticado por irresponsabilidade, por muito que ele tivesse o direito de o fazer e, mais ainda, o pudesse compreender", escreveu.

A agência Lusa tentou contactar Miguel Portas, mas tal não foi possível até ao momento.

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