Pinto Balsemão separa águas entre PSD e CDS

A ala liberal, liderada por Sá Carneiro, fez a sementeira para a Revolução de Abril

A importância da ala liberal da Assembleia Nacional no desenrolar do 25 de Abril foi o pretexto para Francisco Pinto Balsemão, deputado naquela altura, transportar-se para o presente e separar águas: «Em tempo de coligação há quem tenha a tentação de pôr no mesmo saco duas correntes de pensamento que são distintas e ainda bem que o são.» O também fundador do PSD referia-se aos dois partidos de Governo, sublinhando que o «liberal» adoptado pelo grupo de parlamentares liderado por Sá Carneiro tinha fundamentos sociais-democratas e fazia sim apelo à «liberdade» e não a uma «ideologia liberal que está na moda».
Na sua opinião, expressa numa palestra organizada pelo Instituto Sá Carneiro precisamente sobre a «ala liberal», a também chamada «terceira via» (por se situar entre a oposição de esquerda ao regime salazarista e os situacionistas) queria conduzir Portugal à democracia pela reforma e sem recorrer à revolução. O grupo não conseguiu atingir esse ideal, mas, disse Balsemão, permitiu politizar durante quatro anos, de 1969 a 1973, os cidadãos que tinham sofrido uma lavagem ao cérebro por décadas de salazarismo.
E o investimento feito, sublinhou, permitiu fertilizar o terreno para a Revolução e criar o PSD no pós-25 de Abril.
O presidente do Parlamento, que também foi um dos deputados desse sector, foi outro dos oradores da conferência moderada pelo filho de Sá Carneiro. Mota Amaral relembrou que só a chamada «primavera marcelista» permitiu o aparecimento do grupo de jovens deputados, cujo manifesto eleitoral de 1969 «ficou como semente, numa pedagogia democrática que despertou em toda a geografia do País e antecipou o 25 de Abril».
Nesse património político da pré-Revolução enquadrou o presidente da AR a novidade que trazia para a plateia. O Instituto Sá Carneiro vai disponibilizar na Internet o acervo de textos de Sá Carneiro.
«Permitirão ver a evolução do nosso país para a democracia», afirmou Mota Amaral. Outros dois companheiros de luta na Assembleia Nacional, Joaquim Machado Pinto e Raquel Ribeiro, corroboraram a importância da ala liberal na consolidação da democracia em Portugal.
O general Almeida Bruno, um dos homens do 25 de Abril, confessou aos presentes que os militares apelidavam carinhosamente o grupo de deputados de «ala dos namorados». Liberal ou dos namorados, o certo é que os militares a viam como a sustentação política para aquilo que acreditaram ser possível: a mudança de um regime autoritário para o democrático.

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