Vítima portuguesa confirmada

O MNE recebeu um telegrama a avisar de manhã. Mas só soube da notícia pela RTP

Um telegrama do cônsul de Portugal na Cidade do Cabo, a dar conta da morte da portuguesa Dolores Ribeiro, de 39 anos, nos maremotos de 26 de Dezembro, esteve toda a manhã de ontem no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) sem que alguém se apercebesse do seu conteúdo.

O gabinete do ministro António Monteiro acabou por receber a notícia através da RTP, tal como a generalidade dos portugueses.

Foi o próprio Carneiro Jacinto, porta-voz do MNE, quem admitiu ao DN que o documento já se encontrava «há bastante tempo» no ministério quando finalmente lhe chegou às mãos, «por volta das 13:30». Não apresentou nenhuma justificação oficial para o lapso.

Dolores Ribeiro, uma cidadã com dupla nacionalidade portuguesa e sul-africana, foi enterrada esta quinta-feira na Cidade do Cabo, onde nasceu e residia. Morreu em Phuket, na Tailândia, onde estava de férias com o marido, quando esta região foi atingida pelas ondas gigantes provocadas pelo sismo de 26 de Dezembro.

O seu nome não constava da lista de oito portugueses desaparecidos divulgada pelo MNE. Segundo Carneiro Jacinto, apesar de Dolores Ribeiro estar registada no Consulado português na Cidade do Cabo, ninguém avisou as autoridades portuguesas do seu desaparecimento.

E o próprio Cônsul português nesta cidade, Domingos Alvim, só terá tomado conhecimento da morte na quinta-feira. Ainda a tempo de assistir ao funeral.

Contactado pelo DN, Domingos Alvim remeteu todas as explicações para o MNE. Mas referiu que só «esta segunda-feira» assumiu funções no consulado.

Outro desaparecido. Na sequência deste caso, O MNE apurou ontem junto das autoridades sul-africanas que outro lusodescendente, António Correia de Gouveia, de 55 anos, e a sua mulher Anna Susanna, de 49, residentes em Joanesburgo, também estão dados como desaparecidos na tragédia do sudeste asiático.

Apesar de ser descendente de pais madeirenses, António Gouveia só tem nacionalidade sul-africana, pelo que a lista oficial de portugueses desaparecidos não sofre alterações. No entanto, o MNE garante estar em «contacto permanente» com o consulado de Portugal em Joanesburgo «para acompanhar a situação destes dois cidadãos».

A revelação destes casos permite supor que mais portugueses e lusodescendentes podem constar da lista de desaparecidos de outros países. Mas Carneiro Jacinto considera que essa hipótese está acautelada: «Neste momento, todas as embaixadas portuguesas estão atentas e recebemos todos os dias centenas de telegramas com todas as informações que são dadas pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros».

Tristeza em Macau. O pai de Mafalda, a bebé de oito meses desaparecida na tragédia de 26 de Dezembro regressou a casa, em Macau, na quarta-feira depois de 10 dias na Tailândia em busca da filha.

Fernando Santos e Silva, avô materno da bebé confessou ao DN que a família já está «conformada» com a possibilidade de não voltar a ter notícias da bebé. «Foi uma enxurrada muito grande.

Eu pessoalmente não tenho esperanças.»

Para além de Mafalda, estão desaparecidos outros quatro portugueses residentes na antiga colónia: José Ribeiro, piloto da Air Macau, a mulher Amélia Ribeiro, Leonel Rodrigues, funcionário de uma empresa de seguros, e Belinda Coutinho, do Instituto Cultural de Macau. O marido desta, Paulo Coutinho, continua hospitalizado na Tailândia.

Os restantes portugueses desaparecidos são os luso-franceses Dominique Marques Ferreira, de 39 anos, a mulher Alice, de 37, e Swaine, uma filha do casal, de 10 anos de idade. Cevrian, o único elemento desta família já resgatado, está em casa dos avós paternos, nos arredores de Paris.

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