Reconstrução na Ásia vai demorar uma década

A reconstrução dos países asiáticos afectados pelo tsunami de 26 de Dezembro vai demorar pelo menos uma década, alertou ontem a coordenadora das Nações Unidas para as comunidades afectadas, Margareta Wahlstrom. "A natureza de um desastre como este é que muitas vidas são perdidas e a devastação física é quase completa", disse. De acordo com o último balanço, mais de 290 mil pessoas morreram no maremoto e centenas de milhares ficaram desalojadas.

Wahlstrom discursava ontem em Hong Kong perante uma plateia de cerca de cem delegados que, até sábado, está a planear qual a melhor forma de usar os cerca de 1,7 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) doados pela comunidade internacional à Federação da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. A organização explicou que até ao momento apenas foram usados 150 milhões de dólares (114 milhões de euros).

A maior parte do dinheiro doado terá como destino os países mais afectados: Indonésia e Sri Lanka. "A nossa prioridade vai ser ajudar as pessoas que perderam tudo na catástrofe e que ainda vivem em abrigos temporários, ajudá-las a regressar à sua vida normal", disse o representante da federação, John Schaar.

O tsunami destruiu, só no Sri Lanka, mais de 100 mil casas e os custos da reconstrução neste país devem ascender a 500 milhões de dólares (380 milhões de euros). Mas as autoridades queixam-se de que a ilha apenas recebeu uma fracção dos fundos prometidos. "Apesar de as promessas terem sido elevadas, até agora menos de 40 milhões de dólares foram convertidos em dinheiro real", referiu um dos responsáveis das Finanças do Sri Lanka, citado pela AFP.

Perigo. As ondas do tsunami, que também atingiram alguns países africanos, podem ter espalhado resíduos nucleares e outros lixos tóxicos na costa da Somália. Um perito do Programa Ambiental das Nações Unidas, Nick Nuttal, disse à BBC que um relatório preliminar revelou que vários somalis do Norte do país estão a ficar doentes.

Segundo a ONU, algumas empresas têm aproveitado o vazio de poder na Somália - sem Governo desde 1990 até recentemente - , para deitar lixo nuclear nas suas águas territoriais. Alguns contentores podem agora ter sido danificados, sendo contudo necessárias mais investigações para averiguar o verdadeiro alcance do problema.

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