Mar calmo intriga cientistas

Os sismólogos estão intrigados com o facto de este terramoto não ter provocado um tsunami de grandes dimensões, tal como acontecera a 26 de Dezembro. A comunidade científica debatia ontem uma possível explicação para a ausência de ondas mortíferas: aparentemente, a libertação de energia ocorreu num ponto mais profundo da crosta terrestre e a massa de terra que se moveu no leito oceânico foi, por isso, muito menos importante.

Este novo sismo atingiu uma magnitude de 8,7 pontos na escala de Richter. O de Dezembro tivera 9,3. A escala de Richter é logarítmica, pelo que pequenas variações traduzem grandes dife- renças. Anteontem, foi libertada uma quantidade de energia quatro vezes menor do que em Dezembro. Apesar de tudo, ainda o equivalente a cinco mil bombas de Hiroxima, pois este terramoto foi um dos dez maiores dos últimos cem anos (o de Dezembro foi o segundo maior).

O sismo, que devastou a ilha de Nias, na costa oeste de Samatra, ocorreu no mar e teve origem na tensão acumulada na mesma zona onde ocorrera o terramoto de há três meses. Então, os movimentos tectónicos foram de tal forma extensos que provocaram novas situações onde a pressão acumulada teria de ser libertada. Os cientistas sabiam que haveria ali outras catástrofes, embora não soubessem quando.

No segundo grande sismo, o epicentro foi centenas de quilómetros mais a sul, na chamada Fossa de Sunda, no oceano Índico, na separação entre duas placas, a da Índia, que se desloca para norte (uns 60 milímetros por ano), e a microplaca da Birmânia, que abrange a ponta norte da ilha de Samatra. Em Dezembro, ambas as placas foram perturbadas, num rectângulo do tamanho de Portugal. Por exemplo, em consequência do sismo de Dezembro, há modelos que sugerem enormes deslocações de terra: o leito marinho pode ter subido cinco metros, a costa da ilha de Samatra afundou ligeiramente e deslocou-se um ou dois metros para norte.

Mas desta vez, por sorte, não houve nenhum grande tsunami, apenas ondas de pequena dimensão, o que limitou as perdas humanas aos efeitos do abalo. Os cientistas sabem que dois sismos menores do que este, na mesma zona, em 1833 e 1861, provocaram ondas mortíferas. Aparentemente, as forças foram libertadas a grande profundidade (talvez mais de 30 quilómetros).

Torna-se assim evidente a dificuldade de prever a formação de tsunamis e criar um sistema eficaz de alerta que não produza pânicos injustificados.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG