"As imagens tornaram-se dolorosamente reais"

Destruição, estradas intransitáveis, atoladas de lixo, relatos de mortes. Foi este o cenário que recebeu a equipa de oito elementos da Assistência Médica Internacional (AMI), em Maggona, Sri Lanka, a 30 de Dezembro. As imagens que chegavam pela TV antes de partirem, tornaram-se dolorosamente reais, contam os três elementos da missão, que regressaram ontem a Lisboa. Entre o aeroporto de Colombo e o campo de deslocados em Maggona, os seus olhos detinham-se na devastação, lembram.


A missão em Maggona, que ficou sediada num convento católico, tinha como função prestar apoio médico. "De manhã observávamos as pessoas do nosso acampamento, chegámos a ter três mil deslocados.


À tarde dávamos apoio noutras comunidades, onde distribuíamos comida, calçado e roupas", diz José Aranha, um dos enfermeiros que regressou ontem. As dez toneladas de mantimentos já tinham "dono", antes de lá chegarem, conta. Segundo Graça Moura, médica da organização, mais de "90 pessoas por dia" passavam pela assistência médica. As doenças eram "do foro respiratório, gastrointestinal ou parasitoses". Mas, "apesar da catástrofe, não havia doenças mais problemáticas, como dengue ou malária, que vão surgir agora", desabafa Fátima Ferreira.


O campo de deslocados de Maggona foi considerado exemplar pelas condições sanitárias, alimentares e de assistência médica. Deslocados de outros campos chegaram a percorrer quilómetros para terem ali três refeições quentes por dia e bolachas e leite a meio da manhã e da tarde.


Um mês depois da tragédia que arrasou o sudeste asiático, o Sri Lanka parece começar a ressurgir "das cinzas". As estradas estão limpas, os destroços empilhados, os deslocados começam a deixar o campo e a reconstruir as suas casas. Apesar da destruição e da enorme perda humana, os três portugueses não esquecem a forma como foram recebidos. "Sempre com um sorriso nos lábios", dizem.


A AMI vai permanecer no país entre três a cinco anos, para apoiar oito projectos de construção e saneamento.

Números

Tailândia ainda conta os mortos

O balanço oficial das vítimas do maremoto de 26 de Dezembro na Tailândia está agora em 5393 mortos confirmados, com a descoberta de novos cadáveres na província de Pang Nag, no sul do país.

Esta região, entre as seis províncias tailandesas afectadas, vivia do turismo e foi a que registou maior número de vítimas mortais, com um total de 4222. O número de estrangeiros mortos na sequência do maremoto eleva-se a 1948, enquanto 1848 eram tailandeses. Há ainda 1597 pessoas que pereceram na sequência da tragédia, mas cuja nacionalidade é desconhecida. Na Tailândia há ainda a contabilizar 3071 desaparecidos, dos quais 1003 de nacionalidade estrangeira.

No que respeita à ajuda humanitária, as ilhas Maldivas "ainda não receberam um cêntimo" da ajuda que lhes foi prometida para a reconstrução do país, no montante de 27 milhões de dólares, afirmou ontem o representante das Nações Unidas nas Maldivas, Moez Dorad. Com 82 vítimas mortais, as Maldivas sofreram "uma destruição gigantesca".

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