AMI quer fazer história no Sri Lanka

O presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, regressou ontem do Sri Lanka com um sonho na bagagem: «construir algo de raiz» que afirme a presença portuguesa na ilha. «Foi em 1505 que Lourenço de Almeida, filho do primeiro vice-rei da Índia, descobriu o Sri Lanka - a famosa Tabrobana», recordou. «E espero que 500 anos depois possamos lá continuar.»

A ambição sustenta-se na generosidade dos donativos já recolhidos, mais de 1,1 milhões de euros até agora: «Não estava à espera que houvesse uma tal reacção por parte do povo português, na medida em que, quando partimos, no dia 29, foi com fundos próprios», admitiu. A verdade é que, «pela primeira vez em 20 anos de história», a AMI dispõe de mais fundos do que previa e está pronta a embarcar «em trabalhos de reabilitação muito mais pesados».

Actualmente, a ONG portuguesa está presente em «três campos de refugiados» de dois distritos do sul da ilha onde, segundo Fernando Nobre, tem sido possível «fazer um excelente trabalho do ponto de vista médico e alimentar». Na próxima terça-feira, a equipa da AMI, actualmente com seis elementos, será reforçada por um médico que se encontrava nas Filipinas a dar apoio às vítimas dos ciclones que atingiram este país.

Mas para além desta missão, que deverá durar seis meses, a AMI pretende implantar um projecto inédito, de «três a seis anos», em que participará activamente na reconstrução do país: «Vamos investir na reabilitação das estruturas de saúde, sociais, orfanatos, poços de água, cisternas de água. Depois, não sei bem dizer o quê mas gostaria de deixar lá uma obra de raiz que comemorasse os 500 anos de Portugal na ilha.»

Fernando Nobre, que espera regressar ao Sri Lanka «dentro de dois meses», elogia a coragem do povo deste país, «que acabou por querer agarrar na reabilitação por ele próprio». Mas diz que a destruição é grande, «sobretudo no litoral», considerando imperioso «que a comunidade internacional não faça só promessas, mas que as venha a cumprir».

Ultrapassada a fase das necessidades mais elementares, o presidente da AMI destaca agora a necessidade de se «recuperar o tecido económico do país, incentivando sectores como as pescas e o turismo» e, sobretudo, a urgência de «refazer as casas» para que os desalojados não sejam forçados a «viver em tendas» por longos períodos.

Air Luxor envia ajuda. A AMI não foi a única entidade portuguesa a reunir grandes donativos para o Sri Lanka. A pedido de uma ONG deste país, a Air Luxor desencadeou uma campanha de angariação de dinheiro e mantimentos que ultrapassou todas as expectativas.

«Através da nossa delegação em Paris, enviámos um apelo por e-mail para a nossa base de dados de empresas de turismo francesas e numa questão de dias começaram a chover telefonemas e e-mails, contou Carlos Pacheco, porta-voz da transportadora. «Actualmente já reunimos 500 mil euros e temos outros 500 mil prometidos».

Em Portugal, foi utilizado o mesmo método, mas com um pedido diferente, «alimentos, roupa e medicamentos». A resposta foi tamanha que esta sexta-feira a Air Luxor teve que pedir a suspensão das contribuições. «Neste momento, a nossa sede está atulhada de produtos. Numa estimativa muito modesta, temos 10 toneladas de víveres».

A partir de terça-feira, a Air Luxor começa a transportar (gratuitamente) os bens até Paris, nos seus voos comerciais. Na capital francesa, serão entregues à companhia aérea nacional do Sri Lanka, que se vai encarregar de os fazer chegar ao destino final.

As visitas de líderes mundiais aos países afectados pelo maremoto de 26 de Dezembro prejudicam a distribuição de ajuda humanitária, denunciaram as várias ONG. Os aeroportos ficam congestionados devido ao tráfego aéreo e às medidas de segurança.

Programa Alimentar Mundial vai lançar uma ponte aérea humanitária a partir da Malásia para socorrer durante alguns dias cerca de 400 mil sobreviventes na província de Aceh. Há condições para alimentar 750 mil pessoas no Sri Lanka, 300 mil na Indonésia e 400 mil nos próximos dias.

O Governo espanhol vai enviar para a Indonésia 500 homens e três aviões utilizáveis em pistas com más condições e um navio anfíbio com um hospital de campanha a bordo. O Japão também anunciou o envio de perto de mil homens para ajudarem as populações afectadas.

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