A dor silenciosa de Cévrian

De uma família de quatro luso-franceses, apanhada na altura errada na Tailândia, apenas Cévrian, hoje com 15 anos, sobreviveu. O pai, Dominique Marques, a irmã, Sónia, a mãe, Alice, foram sucessivamente confirmados na lista de vítimas portuguesas.

Cévrian vive hoje em Paris, com os avós maternos. "Está bem", diz sem muita convicção Carminda Santos, a tia-avó portuguesa. "Tem uma psiquiatra a acompanhá-lo, recebeu apoio da segurança social francesa, da empresa da mãe. Tem tudo. Falta-lhe a família..."

No Verão, o rapaz esteve em Portugal de férias, mas não comentou o que se tinha passado. De qualquer forma, ninguém insistiu com ele para que o fizesse: "Ele é novo, vai esquecer. Nâo lhe podem é falar de nada.Não quer ouvir uma palavra. Não foram só os pais e a irmã", explica. "Ele esteve lá, passou pelo mesmo."

O silêncio, não só o de Cévrian, tornou-se na única ferramenta que esta família encontrou para lidar com uma tragédia que ainda não consegue entender. "Está a fazer um ano", lembra Carminda Santos. "Há um ano estávamos todos aqui, reunidos, família de Portugal e de França, quando vimos a notícia pela televisão. Este ano, decidimos não fazer nada no Natal. É melhor pensarmos que é um dia normal, como os outros.

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