A despedida da Mafalda

Foram precisos oito meses, tantos quantos a Mafalda Carvalho tinha de vida no dia em o mar a arrancou dos braços da mãe, numa praia de Phuket, para que o seu corpo fosse devolvido à família. A bebé, identificada através de testes de ADN realizados na China, acabou por ser a última vítima portuguesa a sair oficialmente da lista de desaparecidos."Não foi nenhum marco", diz o avô materno, Fernando Santos e Silva, "mas pelo menos é uma garantia. Agora já ninguém pensa que a menina pode ter sobrevivido", explica.

Em Agosto, com a a juda da embaixada portuguesa na Tailândia, as cinzas da bebé foram enviadas para Macau, onde grande parte dos seus familiares continua a viver. Finalmente, depois de meses de ansiedade, a Mafalda teve a sua despedida. "Foram uns dias extremamente tristes, inclusivamente o funeral", conta."Mas uma pessoa tem que fazer andar a vida."

Mas fazer uma vida normal será "impossível", diz, tanto para o pai, que depois da tragédia ficou vários dias na Tailândia, em busca de indícios da bebé, como para a mãe: "A minha filha continua a dar aulas na Escola Portuguesa de Macau. Vai-se distraindo. Às vezes visita a filha. Mas não esquece."

Quanto ao avô, que fez tropa na Marinha, desde o dia do tsunami que tem escrito cartas ao Governo português, pedindo a criação de um plano de emergência para o dia em que algo semelhante aconteça no nosso país. "O que está a ser feito [sistema de alerta europeu] não serve de nada. É preciso ter meios e planos para evacuar as pessoas", diz. Mas agora avisa que já não vai tentar mais: "Estamos numa falha sísmica, já tivemos um grande sismo, mas eles estão-se nas tintas.”