Plano C para salvar Tratado só em Outubro

PM irlandês pediu mais tempo para perceber o 'não'

Foi logo à chegada a Bruxelas que Brian Cowen, o primeiro-ministro da Irlanda, disse que antes da cimeira de líderes de Outubro, sob a presidência francesa da União Europeia, não haverá um roteiro preciso para sair da crise aberta com o "não" irlandês. A confirmar-se o calendário, está agora posta de parte a possibilidade, que já era remota, de o Tratado de Lisboa entrar em vigor em Janeiro de 2009, como estava previsto.

José Manuel Durão Barroso, presi dente da Comissão Europeia, que reuniu com o responsável de Dublin antes da cimeira de líderes, apoiou a ideia de dar mais quatro meses à Irlanda para analisar a situação e apresentar soluções. Barroso repetiu que "o voto dos irlandeses deve ser respeitado", mas não deixou de ressalvar que "a vontade dos restantes Estados membros em tomar uma posição" também merece respeito.

Na mesma linha, José Sócrates, chefe do Governo de Lisboa , afirmou à entrada que, apesar de ser cedo para pensar em soluções específicas, que "se arranjará uma solução jurídica que respeite as razões do "não" e que leve a Irlanda a poder ratificar o Tratado no próximo ano". O primeiro-ministro explicou que as possibilidades em aberto para resolver o "problema que se chama Irlanda" serão "semelhantes àquelas que se encontraram no passado", perante outros "não" a referendos europeus.

Ao mesmo tempo, Sócrates sublinhou a importância da ratificação do Tratado de Lisboa por parte do Reino Unido neste contexto e garantiu que "a Europa está decidida a avançar". "Deste Conselho devem sair duas mensagens", disse o primeiro-ministro aos jornalistas: "uma é que o processo de ratificações vai continuar e a segunda é que vamos atender às razões do "não".

Olhos postos em Cowen

Para já, ainda é cedo para antever renegociações ao texto do Tratado de Lisboa , mas, em Outubro, na primeira cimeira de líderes da presidência de Nicolas Sarkozy da União Europeia, Cowen tornará a ser o centro das atenções e propor as soluções que poderão oferecer um "Sim" irlandês à Europa. Na véspera do Conselho Europeu, Cowen foi ao Parlamento irlandês e fez uma resenha das razões que custaram o "não" a Lisboa . A perda do comissário e a insegurança face a questões como a neutralidade militar ou fiscalidade foram os assuntos de topo que Cowen enunciou, reiterando que precisa de tempo para arranjar as soluções certas.

Os carros eléctricos de Sócrates

Era um dos temas principais da cimeira que hoje termina em Bruxelas, mas depois do referendo na Irlanda foi relegado para segundo plano. A crise provocada pela escalada dos preços do petróleo e dos bens alimentares, que motivou protestos em toda a UE também está na agenda e os líderes deverão definir caminhos para mitigar os efeitos do aumento dos preços.

No capítulo dos combustíveis, José Sócrates disse que a UE tem de mostrar "músculo" e "decisão política" na abordagem ao choque petrolífero que afecta a economia europeia. O líder português salientou ainda que é preciso que a Europa diminua a dependência face ao petróleo e para isso apresentou uma das soluções: "Acho que é altura de a Europa apostar nos carros eléctricos."

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