Europa suspira de alívio e espera pelos checos e polacos

No dia em que Durão Barroso disse "Obrigado!" aos irlandeses, os presidentes Vaclav Klaus e Lech Kaczynski são as duas pedras no sapato da União.

Ainda não se conheciam os resultados oficiais do referendo na Irlanda e já em Bruxelas se acumulavam as reacções de alegria da parte das instituições e líderes europeus. "Obrigado, Irlanda!", exclamava um muito sorridente Durão Barroso, o presidente reeleito da Comissão Europeia (CE), sobre a aceitação por parte dos irlandeses do Tratado de Lisboa. "Hoje é um bom dia para a Europa", dizia ainda o sueco Fredrik Reinfeldt, presidente em exercício da União Europeia (UE).

Transversal às mensagens do executivo comunitário, do Parlamento Europeu e da Presidência da UE estava a ideia de que, com o resultado positivo no referendo, a Irlanda teria demonstrado um "compromisso com o projecto europeu". "Os irlandeses reafirmaram o desejo de estarem no coração da Europa", disse Jerzy Buzek, presidente do Parlamento. "Acredito que as garantias legais, nomeadamente a de que cada país terá um comissário", pesaram na decisão de ontem dos irlandeses, afirmou Barroso.

"Temos agora um tratado que foi democraticamente aprovado em todos os países europeus", afirmou Reinfeldt. Mas se, por um lado, a Europa institucional respira de alívio com o "sim" irlandês, o processo de ratificação do Tratado de Lisboa ainda não está fechado em dois países da UE: na Polónia e na República Checa. Barroso espera agora que "todos os procedimentos para que o Tratado de Lisboa possa entrar em vigor sejam finalizados".

Enquanto de Varsóvia chegam garantias de que o Presidente Lech Kaczynski colocará finalmente a assinatura no decreto presidencial que completa a ratificação polaca do Tratado Reformador; de Praga ainda chegam a Bruxelas ecos da incerteza face ao que Vaclav Klaus poderá vir a fazer. Ainda assim, Barroso garante: "Não tenho razões para pensar que a República Checa não ratificará". "O presidente checo foi eleito pelo mesmo Parlamento que aprovou o Tratado, seria contraditório", disse mais adiante.

E está precisamente dependente da decisão destes países, e de quando a tomam, o calendário dos próximos passos a nível institucional. A UE quer que no Conselho Europeu, no final do mês, já possam ser tomadas decisões sobre a formação da "Comissão Barroso II" e sobre os cargos da alta hierarquia comunitária criados pelo Tratado de Lisboa, como o presidente do Conselho e o Representante para os Negócios Estrangeiros.

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