Católicos irlandeses divididos sobre 'sim' a Tratado de Lisboa

Resultado não é consensual entre os fiéis em St. Mary's Church. Aborto e eutanásia são assuntos importantes num dos mais católicos países da UE.

À entrada para a primeira missa do dia na St. Mary's Church, em Dublim, as opiniões sobre a aprovação do Tratado de Lisboa no segundo referendo irlandês dividiam-se. "Acho que é uma coisa boa para a Europa e uma coisa boa para a Irlanda", declarou ao DN Joe Kelly, de 58 anos, sacristão naquela local de culto católico. "É impressionante como o sentido de voto mudou tanto desta vez", afirmou, referindo-se ao facto de o "sim" ter vencido na sexta-feira com 67,1%, depois de o "não" ter ganho com 53,4% na consulta popular do ano passado.

"Acho que este resultado é mau, porque estamos a permitir que haja um Estado federal, depois de termos lutado tanto tempo pela liberdade e independência irlandesa", afirmou, por sua vez, Bernie Guerian, de 70 anos. "Isto não é uma democracia, pois os políticos mandam-nos repetir o referendo até terem a resposta que eles querem. Além disso concordo com os que dizem que isto vai facilitar o aborto e a eutanásia", precisou, de rosário na mão, repetindo alguns dos argumentos que foram usados pela campanha do "não" ao tratado de Lisboa.

"Eu votei contra nos dois referendos e acho que isto é mau. Eu sei que gosto de ser irlandês mas não sei se gosto muito da União Europeia", afirmou Frederick Jones, acrescentando que espera que o tratado não facilite a interrupção da gravidez. "Eu sou contra o aborto porque o aborto é homicídio", sublinhou o irlandês, de 73 anos, à entrada desta igreja do século XIX situada na Had- dington Road.

Gina Guinan, que estava a recolher fundos para a Cruz Vermelha ali à porta, não poderia estar mais em desacordo com os dois septuagenários. "Eu levei muito a sério os argumentos sobre o aborto e a eutanásia mas depois de ver o tratado percebi que não era exactamente assim como estavam a dizer às pessoas. A Irlanda pode continuar a tomar as suas decisões nessa matéria e ninguém pode impor-nos nada. Eu votei "sim", porque percebi que o "não" queria assustar as pessoas, principalmente as mais velhas", declarou esta secretária, de 26 anos, natural do condado de Offaly.

A Irlanda é um dos países com maior número de católicos na Europa. Na primeira missa que ontem foi celebrada na St. Mary's Church havia também muitos turistas de origem irlandesa. À pergunta sobre o tratado de Lisboa, feita pelo DN, uma mulher loira que liderava um grupo de pessoas de meia-idade, respondeu em jeito de brincadeira: "Desculpe, mas nós somos americanos, já temos problemas que cheguem!"

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