"Tratado é um insulto para a cidade de Lisboa"

Porque é que entrou na campanha do "não", depois de ter dito, em Junho, que ia retirar-se da vida política?

Bem, eu não era para entrar na campanha. Mas o campo do "sim" começou a dizer mentiras gigantescas, como a de que o Tratado de Lisboa é bom para a economia e que vai ajudar a criar mais empregos. E depois a Comissão Europeia, contrariando o seu próprio papel, enviou pessoas para aqui, para a Irlanda, para se assegurarem de que os irlandeses alteram a sua decisão, de uma forma totalmente antidemocrática, antieuropeia. Essa interferência a favor deste Constituição de Lisboa foi a gota de água.

Diz Constituição de Lisboa porque não vê diferenças entre o Tratado de Lisboa e a Constituição Europeia?

E não há absolutamente nenhuma diferença. Mais, desafio quem encontrar uma única lei que podia ser feita ao abrigo da Constituição e que não possa ser feita ao abrigo do Tratado de Lisboa. As pessoas não têm ideia dos poderes que vão ser transferidos dos cidadãos para instituições de Bruxelas a que não podemos pedir contas. Este tratado é um insulto para a cidade de Lisboa.

Já alguma vez teve oportunidade de visitar Lisboa?

Sim, já. Adoro, é linda. E também é uma pena que os portugueses não possam ter o referendo que lhes foi prometido.

E as garantias que foram obtidas para a Irlanda?

As garantias não valem o papel em que foram escritas. Não emendam a nossa Constituição, não estão no texto do tratado, não foram ratificadas pelos outros países da União Europeia. Então qual é o seu verdadeiro valor? É como trazerem o mesmo carro, pintado de cor diferente, dizendo que é novo. Nós podemos ter, em semanas, [o ex-primeiro-ministro britânico] Tony Blair a falar por todos nós…

Com Tony Blair e Durão Barroso haverá na liderança da União Europeia duas pessoas que apoiaram a Guerra do Iraque. Vê grande problema nisso?

Não comento os indivíduos. Mas digo o seguinte sobre Durão Barroso: Ele veio aqui, à Irlanda, há dois fins-de-semanas, e rejeitou debater comigo. Eu convidei-o e ele desculpou-se dizendo que só debate com políticos eleitos. Quem o elegeu a ele? Ele teve medo de debater comigo porque, no fundo, quer esconder a verdade.

Os irlandeses devem aproveitar o referendo para castigar o Governo de Brian Cowen?

Claro que devem. Por os responsáveis do Governo lhes estarem a fazer a mesma pergunta duas vezes.

Não por causa da crise financeira mundial…

Não.

Como reage às acusações de que serve outros interesses nesta campanha?

Eles vão mudando as acusações. Este ano desistiram das ligações com os americanos, para dizerem que sou patrocinado por hedgefunds. Estas pessoas são desonestas e capazes de dizer qualquer coisa. Tentam atacar-me, de todas as formas, mas o que os assusta é que eu já não ligo nenhuma.

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