"Os do 'não' fazem qualquer coisa para aparecer nos media"

As sondagens mostram que, desta vez, pode ganhar o "sim". O que acha que mudou no espaço de um ano?

Em primeiro lugar, eu acho que o "sim" vai ganhar, eu próprio estou a fazer campanha em Dublim. O que aconteceu foi que as pessoas tinham manifestado a sua preocupação sobre a falta de esclarecimentos acerca do aborto, sobre o seu comissário, sobre a neutralidade militar, etc. Após identificadas essas preocupações, através de um comité parlamentar, foi possível conseguir garantias em Bruxelas. E mostrar às pessoas que essas preocupações foram levadas em conta.

A campanha do "não" diz que as garantias dadas por Bruxelas não são juridicamente vinculativas…

Os do "não" fazem qualquer coisa para aparecer nos media, na televisão, na rádio, nos jornais…

Como vão então funcionar estas garantias?

Há um protocolo no Tratado de Lisboa a dizer que os 27 Estados membros concordaram com essas garantias. E, depois, no tratado do próximo país que aderir à União Europeia, elas serão introduzidas. O Conselho Europeu já se comprometeu com isso.

A crise financeira pode explicar a tendência para o "sim" neste segundo referendo?

As pessoas olharão para a situação da Irlanda e saberão que há várias coisas que estão em jogo. Sabem que a UE sempre foi uma boa coisa para a Irlanda.

Existe, por outro lado, o perigo de os eleitores usarem este referendo para castigar o Governo liderado por Brian Cowen, do partido Fianna Fáil…

Há sempre esse perigo. Já aconteceu no primeiro referendo... Mas o Fine Gael, como principal partido da oposição, não apela ao castigo do actual Governo de Cowen. Haverá eleições legislativas daqui a dois anos e lá poderão, então, expressar-se sobre o Governo.

Mas pode haver eleições antecipadas se os Verdes, parceiros de coligação do Fianna Fáil, se retirarem da coligação governamental em desacordo com reformas económicas que são necessárias para o país?

O Governo pode cair, sim. Há uma maioria não natural, em aliança com os Verdes, e o Governo enfrenta votações importantes a nível da reforma do sistema bancário e do novo orçamento. E é verdade que os Verdes estão a colocar algumas dificuldades.

Quão frustrados ficarão os irlandeses se aprovarem o Tratado de Lisboa e, depois, o Presidente checo, Vaclav Klaus, não o assinar, impedindo-o de entrar em vigor?

Os irlandeses não ficarão frustrados, porque foram votar. O Parlamento da República Checa ratificou o Tratado de Lisboa e foi o Parlamento checo que elegeu o Presidente, e não o contrário. Vaclav Klaus não foi eleito directamente pelo povo. O Presidente da Polónia já disse que assinará o tratado assim que os irlandeses o aprovarem. E depois a União Europeia vai falar com a República Checa. Se ele não assinar, o caso é diferente do da Irlanda, porque assim que os irlandeses aprovarem o tratado, o Parlamento vai ratificá-lo logo em seguida.

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