Política de Maduro influenciada por ensinamentos de guru indiano

Depois de o ídolo e mentor Hugo Chavéz o ter nomeado seu sucessor, Nicolás Maduro recebeu agora a bênção do movimento do seu guru, o líder espiritual índio Sathay Sai Baba, falecido em 2011 aos 84 anos.

A relação de Maduro com o guru remonta a 2005, quando o vice-presidente venezuelano visitou a Índia. A esta visita seguiram-se outras nos anos seguintes, já que o homem forte do chavismo estava convencido dos benefícios que poderiam ocorrer-lhe por passar tempo na companhia do famoso santo.

Em algumas ocasiões, muitas das quais enquanto liderava a Assembleia Nacional, Maduro e a mulher, Cilia Flores, procuradora-geral da Venezuela, rodeavam-se de amigos e hospedavam-se numa residência VIP do Centro de Sai Baba, na localidade de Puttaparthi, contou à agência espanhola Efe o seu porta-voz, A. Anantharaman, que diz acreditar que "a sua fé pode influenciar a sua forma de fazer política".

Antigo maquinista do metro em Caracas, sindicalista, presidente da Assembleia Nacional, ministro dos Negócios Estrangeiros, vice-presidente e agora Presidente da Venezuela, Maduro combinou sempre a sua profissão com a fé, tendo em cada um dos seus escritórios e locais de trabalho um fotografia do seu "santo", falecido em 2011.

Embora possa parecer estranha esta veneração a um guru indiano, o movimento Sai Baba (que gere cerca de 6800 milhões de euros em doações) foi criada na Venezuela nos anos 70 e desfruta de uma grande popularidade no país, com cerca de 200 mil seguidores. De facto, quando o guru morreu, há cerca de dois anos, o Parlamento da Venezuela emitiu uma declaração de luto nacional.

Sai Baba, cujo verdadeiro nome era Sathyanarayana Raju, ainda tem milhões de fãs em todo o mundo, incluindo políticos, atores e atletas, que seguem os seus ensinamentos baseados na "universalidade do amor, na verdade e na paz". Muito popular nos anos 70, vangloriou-se de milagres e afirmou ser capaz de obter alimentos das cinzas.

Embora vários discípulos afirmem ter sido abusados sexualmente pelo "santo", este nunca foi formalmente acusado pela polícia, tendo mesmo um ex-ministro indiano falado publicamente em sua defesa. No seu funeral não faltaram personalidades importantes como Sonia Gandhi.

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