Karadzic era o ilustre Dr. Dragan Dabic

Ex-líder de sérvios bósnios é acusado de genocídio

Vivia num bairro moderno de Nova Belgrado e trabalhava numa clínica privada em medicinas alternativas. Falava em conferências e até publicava artigos de opinião em jornais sérvios. Viajava em transportes públicos e recebia mesmo um subsídio mensal para o passe. Irreconhecível, de cabelo e barba brancos, o ex-líder político dos sérvios bósnios Radovan Karadzic reapareceu ontem ao mundo como doutor Dragan Dabic..

Foi atrás desta identidade falsa que um dos homens mais procurados pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia se escondeu nos últimos dos seus 13 anos de fuga. Acusado de genocídio, de crimes de guerra e contra a humanidade, na Bósnia, entre 1992 e 1995, Karadzic, hoje com 63 anos, foi detido na segunda-feira à noite em Belgrado.

"O facto de ele se deslocar livremente na cidade e aparecer mesmo em locais públicos mostra até que ponto a sua identidade foi convincente", disse o procurador sérvio para crimes de guerra, citado pelas agências internacionais. Vladmir Vukcevic precisou que um juiz já ordenou a transferência para o tribunal de Haia do homem acusado pela morte de oito mil muçulmanos bósnios no enclave de Srebrenica em 1995.

Karadzic tinha sido localizado pelos serviços secretos sérvios há um mês, noticiou ontem o jornal Blic on- line, referindo que as autoridades só tiveram confirmação da identidade na sexta-feira. O seu advogado, Sveta Vujacic, que já indicou que vai recorrer da decisão no prazo de três dias a que tem direito, veio lançar a confusão ao afirmar que o seu cliente foi preso na sexta-feira, enquanto viajava num autocarro público entre Nova Belgrado e Batajnica. Vujacic diz que só foi avisado na segunda-feira.

O ex-líder político dos sérvios da Bósnia, psiquiatra de formação, tinha sido visto pela última vez em 1996, na Bósnia, já depois dos acordos de Dayton. Mediante as acusações que lhe foram lidas pelo juiz, até ontem de madrugada, Karadzic negou qualquer culpa e, tal como fez o falecido Slobodan Milosevic, recusou reconhecer o TPI ex-J. Não quis comer e pediu para ver a família. Apenas o irmão, Luka Karadzic, pôde ir, porque a mulher e a filha, Sonja e Ljiljana, têm os passaportes apreendidos.

Localizado e preso Karadzic, as atenções voltam-se agora para Ratko Mladic, ex-líder militar dos sérvios bósnios, que também viveu em Belgrado até 2002, mas que, entretanto, desapareceu, sem aparentemente ter deixado rasto.

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