Detido Karadzic maior criminoso de guerra

O inventor da "limpeza étnica" da Bósnia é acusado de genocídio

As autoridades sérvias detiveram ontem Radovan Karadzic, suspeito de crimes de genocídio na guerra civil da Bósnia (1992-1995) e que há 13 anos fugia à justiça do Tribunal Penal Internacional (TPI) da ex- Jugoslávia .


Há muito que os sérvios eram pressionados pela comunidade internacional a deter Karadzic. Ontem, reagindo à detenção, a presidência francesa da UE considerou que esta é uma "etapa importante" no processo de adesão da Sérvia à União.


Karadzic e o seu "alter ego" militar, Ratko Mladic, ainda desaparecido, são acusados dos piores crimes cometidos na Europa depois da II Guerra Mundial. A detenção foi levada a cabo por agentes da segurança da Sérvia, informou, sem adiantar mais detalhes, o gabinete do Presidente Boris Tadic.


Karadzic, nascido em 1945 no Montenegro, foi o líder político dos sérvios da Bósnia na guerra civil. As Nações Unidas dizem que foi o responsável pela morte de pelos menos 7500 muçulmanos bósnios em Srebrenica, em Julho de 1995. É também acusado do bombardeamento de Sarajevo e de, em Maio e Junho de 95, ter usado 284 militares da ONU como escudos humanos.


Em Novembro desse ano, os Acordos de Dayton acabaram com a guerra. Em 1996, indiciado por crimes de guerra, iniciou a sua longa fuga. Karadzic recusou entregar-se alegando que o TPI era um "tribunal político" criado para "culpar os sérvios" pela guerra. Ter-se-à refugiado no sudeste da Bósnia. Para os croatas e muçulmanos era um monstro, para muitos sérvios um héroi.


Médico psiquiatra de formação, poeta, o seu pai, Vuk, foi membro das Chetniks, as guerrilhas nacionalistas sérvias que combateram os nazis na II Guerra Mundial. Em 1992, quando a independência da Bósnia-Herzgovina foi reconhecida pela ONU, Karadzic fundou a República Sérvia da Bósnia (que depois se viria a chamar República Srpska), tornando-se o seu líder. A guerra civil - entre sérvios, croatas e muçulmanos da Bósnia - eclodiu nesse mesmo ano.O TPI ainda procura, além de Ratko Mladi, um outro sérvio acusado de crimes de guerra, Goran Hadzic, auto-proclamado Presidente da República Bósnia da Krajina.

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