"Isto prova que a Sérvia colabora com o TPI"

A detenção de [Radovan] Karadzic representa um grande dia na Sérvia ou há ainda muita gente que simpatize com ele?
Isto é, obviamente, um dos avanços que provam que a Sérvia colabora totalmente com o TPI [Tribunal Penal Internacional]. Já extraditámos 40 suspeitos. Karadzic teve um papel importante na guerra e a sua detenção é um passo importante na direcção certa.

Ele será entregue ao TPI...
Essa seria a consequência lógica. Ele nem sequer tinha nacionalidade sérvia e, portanto, não creio que isso seja uma grande questão. Ele deve ter ou nacionalidade da Bósnia ou da antiga Jugoslávia .

Quando o presidente Boris Tadic veio a Portugal disse-me que Karadzic não estava na Sérvia. Mas Mladic, sim. Então como se explica esta reviravolta?
Acho que toda a gente ficou um pouco surpreendida. As actividades dos serviços secretos sérvios, seguindo pessoas ligadas a suspeitos procurados, levaram à localização de Karadzic. É tudo muito recente. Ninguém sabia do seu paradeiro há muito tempo. Até as pessoas com quem contactava não o reconheceram agora.

Alguma vez conheceu Karadzic pessoalmente?

Conheci-o quando eu era diplomata em Bruxelas, porque participou em negociações no início dos anos 90. Eu diria que é um homem singular e, sendo médico, talvez não tenha sido boa ideia ter entrado na vida política.

Alguns países da UE deram a entender que é necessário a Sérvia entregar também Mladic para que o seu processo de integração avance.
Não seria justo adiar o processo até que alguém seja localizado. A melhor aproximação seria continuar com a integração europeia para que a Sérvia consiga rapidamente obter o estatuto de país candidato à adesão à UE.

O ministro dos Estrangeiros Vuk Jeremic disse que a Sérvia vai ser declarada país candidato no final do ano. Como é que ele tem tanta certeza?
O mínimo que a UE pode fazer é permitir a implementação do Acordo de Associação e Estabilização com a Sérvia.

O ministro também disse que os embaixadores sérvios poderiam regressar a alguns países da UE?
Os embaixadores foram chamados para consultas quando alguns países reconheceram o Kosovo, mas, agora, poderão regressar apenas a países da UE. É preciso fazer tudo para conseguir este estatuto de candidato.

Teve alguma indicação de uma mudança de posição portuguesa em relação ao Kosovo?
Não. Vamos pedir, em Setembro, à Assembleia Geral da ONU que peça ao Tribunal Internacional de Justiça que declare a independência ilegal. Até que haja uma decisão, pedimos a todos os países que não se abstenham de tomar uma atitude em relação ao Kosovo.

"O mínimo que a UE pode fazer é permitir a implementação do Acordo de Associação e Estabilização"

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