Pajín é a arma do PSOE para mobilizar os jovens

Zapatero foi reeleito com 98,53% dos votos no 37.º Congresso socialista

"Sempre que Zapatero quer mobilizar a juventude espanhola face a qualquer problema pega no telemóvel e telefona a Leire Pajín", escrevia ontem Luis R. Aizpeolea, na edição online do jornal El País. E foi o que fez na sexta-feira de manhã para a convidar para secretária da organização política do PSOE. O seu objectivo é conseguir dar ao partido uma imagem de modernidade e igualdade, de mudança e de futuro, por forma a mobilizar os jovens para as eleições legislativas de 2012.

Pajín, de 31 anos, já tinha sido a mais jovem deputada em Espanha há oito anos e agora torna-se também a mais jovem secretária do PSOE, apesar de não ser a primeira mulher. Já que esse título coube a Carmen García Bloise entre 1979 e 1984. "Ontem [sexta-feira] foi um dia emocionante para alguém que teve o seu cartão [de militante] aos 15 anos. Ser a número três de um partido centenário é uma verdadeira honra e uma responsabilidade", disse Pajín, à Cadena Ser.

Assumidamente "de esquerda", a ex-deputada por Alicante é uma das 16 mulheres que integram a direcção do PSOE, ontem aprovada, com quase 99% dos votos dos delegados no 37.º Congresso do partido. A elas juntam-se 16 homens, entre os quais José Blanco, antecessor de Pajín, que agora ascende a vice-presidente. No Congresso em que Zapatero foi reeleito com 98,53% de votos a favor, foi igualmente nomeada a primeira imigrante para a direcção do partido, Bernarda Jiménez Clemente, oriunda da República Dominicana.

Pajín, nascida no País Basco, viveu toda a vida em Benidorm. Militante socialista desde os 15 anos de idade, é filha de dois históricos do PSOE, Maite Iraola e José María Pajín. A primeira sucedeu ao segundo como secretária-geral dos socialistas locais. "Produto genuíno do zapaterismo", como lhe chamava ontem o ABC, o rosto da mudança do partido no poder em Espanha há muito que caiu nas graças do primeiro-ministro.

Formada em Sociologia pela Universidade de Alicante - pois não tinha nota para Jornalismo - dedicou--se desde cedo aos temas sociais, à solidariedade, ao activismo. Fundou a Associação Estudantil Campus Jove, presidiu à ONG Solidariedade Internacional, foi membro da Associação de Amigos do Povo Saraiu em Alicante e Secretária Federal dos Movimentos Sociais do Partido.

Apresentada como alguém que fala pelos cotovelos e tem energia para dar e vender, Pajín passou os últimos quatro anos como secretária de Estado para a Cooperação, estando associada a campanhas de solidariedade e a várias viagens por países de África ou da América Latina. Questionada sobre quem são os seus melhores exemplos respondeu: "Aos meus pais devo tudo o que sou."

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