Número dois do PP é mãe de bebé-proveta

María Dolores Cospedal é a nova secretária-geral do Partido Popular espanhol

José Luis Rodríguez Zapatero apresentou um novo Governo maioritariamente feminino. E Mariano Rajoy contra-atacou nomeando uma série de mulheres para lugares estratégicos no Partido Popular (PP). María Dolores Cospedal é uma delas. Divorciada e mãe de uma criança concebida por inseminação artificial, foi nomeada, aos 42 anos, secretária-geral do maior partido da oposição.

A escolha da ex-presidente do PP em Castilla-La Mancha, escreveu recentemente o El País, revela a vontade que Rajoy tem de modernizar o partido que quer fazer regressar ao poder e, simultaneamente, a influência de Javier Arenas, um dos vice-secretários da formação. Apesar de ter sido durante dois anos conselheira de Esperanza Aguirre, uma das principais críticas de Rajoy , Cospedal é considerada uma das pessoas de maior confiança de Arenas.

Filiada no PP, desde 1999, começou a trabalhar com ele dois anos antes no Ministério do Trabalho. A seguir saltou para o do Interior, onde viveu os terríveis momentos que seguiram os atentados de 11 de Março, tendo ficado responsável pela actualização da contagem dos mortos: inicialmente 202, mais tarde, 191 confirmados oficialmente. Foi Cospedal que organizou também a transferência dos cadáveres das linhas de comboio para as morgues.

Após a derrota do PP nas eleições de 14 de Março de 2004, Cospedal regressou ao posto de advogada no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem em Bruxelas. O partido fizera uma má gestão dos atentados terroristas, atribuindo-os à ETA, apesar de terem sido reivindicados por simpatizantes da Al-Qaeda.

Foi Esperanza Aguirre, presidente da Comunidade de Madrid, que a resgatou de novo para a política. Apologista dos divórcios rápidos aprovados pelo Governo socialista, Cospedal não deixou que o divórcio a impedisse de ser mãe, dando à luz um bebé proveta em Maio de 2006. Não gozou a licença de maternidade.

 Esteve apenas uma quinzena de dias a trabalhar a partir de casa. Nessa altura, Rajoy pediu-lhe que assumisse a liderança do partido na comunidade de Castilla-La Mancha. Esteve para recusar, segundo o El Mundo, por causa do filho recém-nascido. Mas após as dúvidas decidiu finalmente.

Apesar da fama de moderada, a mulher que quinta-feira quase chorou quando deu a sua primeira conferência de imprensa, em Albacete, é descrita pelos que com ela já trabalharam como tendo um feitio difícil e tendência para o autoritarismo. Tal característica ter-lhe-á servido para combater num mundo de homens.

Ao escolher estar ao lado de Rajoy não escapa, porém, às críticas, quer sejam internas ou externas. O seu rival socialista e presidente de Castilla--La Mancha, José María Barreda, acusou-a de "estar a apunhalar Esperanza Aguirre para se entregar a Rajoy por um prato de lentilhas".

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