Europa prepara-se para mais Berlusconi?

Ter à frente de um Estado membro alguém que já conduziu os destinos da Comissão Europeia será, normalmente, a preferência em Bruxelas. Por isso, muitos meios da UE lamentarão a partida do ex-presidente da Comissão, Romano Prodi , do Governo italiano.

Segundo as sondagens, Bruxelas poderá ter de voltar a habituar-se à presença de Berlusconi , ainda com a memória da última presidência italiana, por si conduzida, que poucas marcas deixou, além de certas gafes de destaque na imprensa e algum ambiente de confusão.

Nessa altura, procurava-se chegar a acordo, entre os Estados membros, sobre uma futura Constituição Europeia. No início da cimeira de Dezembro de 2003, Berlusconi , na presidência, indicava, com triunfalismo imprudente, que levava no bolso uma solução para ultrapassar as divergências. Afinal, o bolso estava vazio e, no dia seguinte, teve de reconhecer o fracasso - que muitos parceiros e a imprensa já tinham previsto. Em público, nenhum dos colegas tinha a coragem de o criticar, mas em privado a fúria era latente, perante a falta de organização.

Se alguns progressos foram conseguidos, ao longo daquele semestre, deveram-se, essencialmente, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Franco Frattini, agora membro da Comissão presidida por Durão Barroso e que poderá regressar a Itália , caso Berlusconi vença, para a Administração Interna. Barroso ficaria privado de um elemento de grande qualidade. Agora, é com este mesmo Berlusconi que a União poderá ter de se articular, se o eleitorado italiano excluir Walter Veltroni, o seu adversário da esquerda, inspirado pela campanha de Barack Obama. Veltroni vai às urnas com a imagem cimentada à frente da Câmara de Roma, mas Berlusconi tem parecido continuar a ter a capacidade - e o poder suficiente na comunicação social - para atrair as atenções dos italianos.

Seja qual for o resultado das eleições , o novo Governo italiano tomará posse com um problema grave: a economia. O comissário europeu dos Assuntos Monetários, Joaquín Almunia, deixou já claro que uma grande prioridade para a Itália terá de ser a consolidação do estado das finanças públicas. A dívida pública é de cerca de 1400 milhões de euros, mais do que o Produto Interno Bruto. Pagar os juros desta dívida custa a cada italiano cerca de 1200 euros por ano. Berlusconi promete agora responder a este desafio. Ironicamente, em 2006, perdeu as eleições devido à insatisfação popular quanto à sua condução da economia.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG