A hora da verdade

Após uma intensa sessão de investidura no Congresso, José Luis Rodríguez Zapatero foi reeleito ontem presidente do Governo espanhol, à segunda volta, com o único apoio do seu partido, o PSOE. Hoje fará, perante o Rei, o juramento do cargo para os próximos quatro anos. E, a seguir, divulgará a composição do Conselho de Ministros.

O debate de investidura serviu para comprovar que algo está a mudar na relação entre os dois principais líderes espanhóis, Zapatero e Mariano Rajoy, do Partido Popular. E que, nos próximos quatro anos, pode ser possível alcançar pactos de Governo impensáveis na legislatura anterior.

Se em 2004 o tema central do discurso de investidura de Zapatero foi o grupo terrorista ETA , em 2008 foi a economia. Isso não é de estranhar, depois de serem conhecidas as últimas estimativas do FMI, as quais vaticinam que a economia espanhola crescerá em 2008 apenas 1,8%, menos nove décimos do que o previsto. Esta entidade prevê um agravamento das condições económicas, com um aumento considerável da inflação e do desemprego, agravado pela crise imobiliária espanhola, que já está a fazer estragos no sector e nos seus trabalhadores.

Essa atenção desmesurada à economia e a mudança de discurso de Zapatero, nessa matéria, alertaram a opinião pública espanhola. Se, durante a campanha eleitoral, a economia "ia bem", uma vez ganhas as eleições Espanha vive uma "desaceleração económica", embora não uma recessão. Zapatero prometeu algumas ajudas fiscais como o adiantamento às empresas das devoluções do IVA. E até a dedução de 400 euros, na declaração do IRS, a pensionistas, assalariados e traba- lhadores independentes. Essas medidas, a priori, parecem insuficientes para fazer face à situação que se avizinha.

Entretanto, o PP está cada vez mais dividido sobre a liderança de Rajoy. Durante os últimos dias, ouviram-se vozes de renovação no seu interior. Com a nomeação da nova porta-voz do partido no Congresso dos Deputados, a jovem Soraya Sáenz de Santamaría, Rajoy parece querer encerrar uma etapa e começar outra de mais diálogo e abertura com Zapatero. Mas terá de resolver primeiro os seus problemas internos.

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