Reforma da saúde fragiliza Merkel e ameaça coligação

Há quase um ano, quando na Alemanha se formou o Governo de grande coligação sob a liderança de Angela Merkel , tudo parecia correr às mil maravilhas.

Depois de 40 anos de lutas políticas, os sociais-democratas (SPD) e os democratas-cristãos (CDU/CSU) prometeram pôr os seus próprios interesses de lado e trabalhar juntos para o bem da nação. Não havia e ainda hoje não há outra alternativa para os alemães.

Perto de completarem um ano de um casamento de conveniência, ouvem-se rumores em Berlim de uma separação iminente, de reuniões secretas para possíveis alianças e ainda uma possível substituição de Merkel por Kurt Beck dos sociais-democratas.

Uma cultura de desconfiança apoderou-se da grande coligação, com base em desentendimentos nas políticas, essencialmente no Sistema Nacional de Saúde. Cansado e frustrado de tentar uma relação onde já não há harmonia, o SPD tem-se aproximado da oposição liberal do FDP, partido que foi parceiro dos democratas-cristãos durante os 16 anos do Governo de Helmut Kohl.

As sondagens mais recentes mostram que os alemães pretendem que a coligação avance com as reformas desde que estas não prejudiquem demasiado as suas carteiras. Mesmo assim, o descontentamento geral tem prejudicado o partido conservador de Merkel, que baixou 12 pontos na intenção de votos, para 29%, o valor mais baixo desde o ano 2000. O SPD está em alta com 30%, assim o provam também os resultados nas regionais de Berlim do passado dia 16, embora a reeleição de Klaus Wowereit se deva a ele mesmo pelas suas popularidade e personalidade, que pesam na decisão dos berlinenses.

O presidente da Baviera, Edmund Stoiber, garante que se a reforma da saúde falhar é o fim do Governo. O diário económicoHandels blattavança com a previsão mais pessimista da imprensa generalista e afirma que a médio prazo a solução para a política alemã passa por uma nova coligação e eleições antecipadas.

Para além da crise nas reformas da saúde, alguns economistas prevêem um abrandamento da economia em 2007, com um crescimento mais lento que se deve à diminuição da exportação para os EUA e Ásia. E o aumento do IVA para 19% no próximo dia 1 de Janeiro está a deixar o mercado na expectativa com receio da baixa de consumo.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG