Berlusconi vitorioso enfrenta os caprichos da Liga Norte

Esta é a primeira vez na história da Itália que Silvio Berlusconi e Umberto Bossi dispõem de maioria absoluta no Senado e na Câmara dos Deputados, com 47,3% e 46,8% dos votos, contra os 38% e os 37,5% conseguidos por Walter Veltroni. É situação que já permite a Berlusconi declarar que não tem a "menor intenção" de rever a lei eleitoral, de oferecer qualquer posição institucional à oposição ou de governar com o seu apoio.

Berlusconi não terá, no entanto, uma vida tão fácil como parece, segundo os resultados, já que deverá "contentar" a Liga Norte. Esta obteve 20,7% dos votos na Lombardia e 26% na região do Veneto, um aumento muito significativo em todas as regiões do Norte, um voto que "é tudo menos de protesto", segundo disse Roberto Maroni, provável ministro do Interior, cargo que já desempenhou no Governo de 1994.

É verdade que as vitórias pessoais de Berlusconi , com Força Itália , nunca tiveram a dimensão e peso dos resultados actuais. Mas muitos analistas políticos classificam o voto de 2008 como "Terceira República" pelas "promessas" eleitorais para satisfazer a Liga Norte de Bossi: reformas económicas que favoreçam as pequenas e médias empresas do norte industrial, na Lombardia e Piemonte, mas também na Emilia Romanha, e não uma economia de "globalização" em que estariam inseridas as regiões pobres e corruptas do centro e sul.

"O novo Governo deverá actuar para realizar o programa que tínhamos estabelecido antes das eleições ; para nós o ponto principal é o federalismo fiscal, eliminar o "centralismo" do poder político de Roma, de modo a dar a possibilidade até aos nossos presidentes da Câmara de dispor de parte dos lucros obtidos nos nossos territórios para trabalharem, criando estradas, infra-estruturas, tudo o que necessitamos", declara Bossi, com os seus resultados em mente.

No plano político, para Berlusconi não será fácil conciliar Gianfranco Fini, da Aliança Nacional com Umberto Bossi, os dois expoentes de dois partidos que vêem de modo totalmente oposto a "integridade" política e económica do país.
Na oposição, o futuro de Veltroni também não parece brilhante, pois depois de reconhecer a derrota não lamentou as decisões que tomou nem viu erros na sua campanha: "O resultado foi importante, partíamos de zero, a derrota é, em parte, devida ao Governo de [Romano] Prodi ." "O Partido Democrata agora deve procurar uma aliança com a União Democrata-Cristã [UDC]", afirmou Marco Follini, ex-aliado de Berlusconi no seu último Governo, que recusa culpar o Governo de Prodi.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG