Berlusconi de regresso com maioria absoluta

Ao fim de dia e meio de votação, Silvio Berlusconi venceu as eleições legislativas italianas, com maioria absoluta tanto no Senado como na Câmara dos deputados, segundo pro- jecções e dados oficiais parciais. "Ganhámos (...) vou governar durante cinco anos", disse o líder da direita na Rai Uno, anunciando "meses difíceis". O seu rival, Walter Veltroni, admitiu a derrota da esquerda - "O resultado é claro: a direita governará".

O Ministério do Interior indicou que com 55 600 das 60 mil assembleias de voto contadas, a coligação de direita tinha 47,1% dos votos no Senado contra 38,1% da esquerda de Veltroni, ex-presidente da Câmara de Roma com 52 anos. A projecção do Instituto Piepoli dá à direita 162 dos 315 lugares no Senado - factor muito importante porque o controlo desta câmara é indispensável para conseguir estabilidade governativa. Na Câmara dos Deputados, com 80% dos votos contados, a direita liderava com 46,4% dos votos, contra 37,9% para a esquerda.
A vitória tanto no Senado como na Câmara indica que a coligação de Berlusconi, com a Aliança Nacional de Gianfranco Fini e o Movimento de Autonomia da Sicília, constitui um regresso triunfal de Il Cavaliere, como nos tempos das campanhas dos romanos que entravam na cidade aplaudidos pelo povo. Talvez tenha sido essa a intenção de Berlusconi quando escolheu a praça diante do Coliseu de Roma para a última aparição pública no fim de campanha.

A taxa de participação de 80%, menos 3,5% do que em 2006, não vai determinar como será feita a escolha dos ministros ou do Governo, mas terá repercussões na oposição. Mesmo que Veltroni, do Partido Democrata, não tenha escondido que estas eleições serviriam ao seu partido para impor uma nova ordem de voto, através da futura revisão da lei eleitoral, qualquer que fosse o Executivo.

"Espero - tal como escrevi a Berlusconi no início da campanha - que o futuro Governo e a oposição possam trabalhar juntos num clima de respeito ", declarou Veltroni, antes de sonhar com as maiorias absolutas de Berlusconi. O líder da direita, 71 anos, vai chefiar o Governo pela terceira vez em 15 anos.

Mas a vitória de Berlusconi não vai diminuir os problemas difíceis, como sejam a Alitalia, a crise económica ou a relação com a Liga Norte. Os 8% que a formação de Umberto Bossi deverá conseguir no Senado e na Câmara colocam Berlusconi numa situação complicada. Apesar de ter afirmado ontem que não pretende tomar Il Cavaliere "como refém", Bossi disse, antes da votação, que exigia para si um cargo como ministro. "Berlusconi é um amigo. Vamos respeitar a nossa palavra. Ele não será nunca refém [da Liga Norte]", afirmou Bossi, acrescentando que o seu partido respeita pactos. "Elaborámos um programa com Berlusconi e vamos cumpri-lo", afirmou o líder da Liga Norte, sublinhando que o Norte de Itália defende um sistema federalista para o país.

Berlusconi, para evitar novos protestos por parte de intelectuais, como as "rodinhas" de Nanni Moretti ou as piadas de Beppe Grillo, deverá fazer esforços para obter de Veltroni uma oposição soft, que lhe permita candidatar-se, dentro de três anos, a presidente, eleito pelo Parlamento. Estas eleições determinam assim não só quem governará a Itália nos próximos cinco anos, mas também o destino político dos dirigentes.

Quanto ao Governo. Berlusconi prometeu nomear "pelo menos quatro mulheres". Numa intervenção em que denunciou as "fraudes" da esquerda nas eleições de 2006, Il Cavaliere disse, contudo, estar disposto a "trabalhar com a oposição sobre as reformas constitucionais". Berlusconi anunciou que a sua primeira visita ao estrangeiro como chefe do Governo será a Israel, a 8 e 9 de Maio, para celebrar a criação daquele país.

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