Aznar critica gestão do seu sucessor no PP

Rajoy diz que o partido é de centro e é moderado

José María Aznar saiu ontem da sombra para dizer que o Partido Popular espanhol não tem nada de que se envergonhar e que a renovação deve ser feita sem exclusões. O ex- -primeiro-ministro falava em Valência, no Congresso do PP, onde o seu sucessor na liderança do partido, Mariano Rajoy , aguardava ontem à noite a reeleição.

"Não compreendo esta ideia de centro como finalidade impossível de uma viagem interminável. Ninguém tem a ensinar-nos o caminho para o centro, nós não vamos para o centro, já lá estamos há vários anos. O PP não tem do que se envergonhar."

Aplaudido por três mil delegados vindos de toda a Espanha, segundo as agências internacionais, Aznar pediu que ninguém seja deixado pelo caminho e que não haja enganos sobre o sentido da renovação, referindo-se à recente saída de nomes como Eduardo Zaplana, Ángel Acebes ou María San Gil do partido.

A todos estes, Rajoy , contestado por alguns sectores do PP, nomeadamente os próximos de Aznar, foi substituindo por uma equipa feita de mulheres e moderados. A nova secretária-geral deste partido conservador, Maria Dolores de Cospedal, é uma liberal, solteira, mãe de uma criança concebida através de inseminação artificial e favorável ao divórcio rápido aprovado pelo Governo socialista de Rodríguez Zapatero.

Fontes citadas pelos media espanhóis adiantaram que Rajoy retirou da cúpula do PP Ignacio González, número dois da presidente da Comunidade de Madrid Esperanza Aguirre, uma das suas principais críticas, para substituí-lo por Manuel Cobo, número dois do autarca de Madrid Alberto Ruiz-Gallardón.

O próprio presidente da câmara da capital espanhola, centrista, será vogal do Comité da Direcção de Rajoy a partir deste XVI Congresso. Gallardón é um dos políticos mais populares de Espanha, porém, nunca teve hipóteses de chegar à liderança do seu próprio partido. O outrora rival de Rajoy transformou-se num dos seus principais apoiantes.

"Eu não acho ninguém a mais", disse, no seu discurso, Rajoy , garantindo que não mudou uma única vírgula nos "princípios" do PP, "um partido que é de centro e é moderado" e que "pode ganhar em 2012".

Neste Congresso, Aznar, acusado de conspirar na sombra contra um sucessor que já foi derrotado duas vezes por Zapatero, manifestou a Rajoy um "apoio responsável". Apesar de todas as críticas implícitas às opções feitas pelo líder do PP, este Congresso, diz a imprensa, foi mais calmo do que os anteriores.

Isto porque para já ninguém quer o seu lugar. O mesmo não vai acontecer em 2011, um ano antes das legislativas, quando o líder e candidato do PP for eleito através de primárias, à semelhança do que há muito acontece com republicanos e democratas nos Estados Unidos.

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