Eurodeputados portugueses querem nova atitude na UE

Os eurodeputados portugueses dividem-se quanto ao impacto das eleições legislativas alemãs no rumo da União Europeia (UE), mas convergem na necessidade de haver uma mudança de atitude face aos países com maiores dificuldades, como Portugal.

Dos cinco eurodeputados portugueses ouvidos pela agência Lusa em Estrasburgo, todos reconhecem que a vitória da CDU (democratas-cristãos), de Angela Merkel, é praticamente certa nas eleições de 22 de setembro, embora a socialista Edite Estrela, por exemplo, refira que os resultados de outras forças políticas, como o SPD (sociais-democratas), podem ser determinantes para condicionar a futura linha dos 28 Estados-membros.

"Infelizmente, do meu ponto de vista, a confirmarem-se as sondagens, Angela Merkel será a vencedora, acho que seria melhor para a Alemanha e para a Europa um vitória do SPD", defendeu, ressalvando que "resta saber quem vão ser os parceiros de coligação da senhora Merkel, se vai ser a grande coligação com o SPD, com os liberais ou inclusivamente até com a Alternativa para a Alemanha, um novo partido que infelizmente está a crescer e é antieuropeu".

A chefe da delegação socialista no Parlamento Europeu, uma crítica de Angela Merkel, considera que uma vitória do SPD "seria vantajosa para a Alemanha e para Portugal", porque é preciso "uma maior atenção às políticas sociais".

"É preciso haver mais solidariedade na Europa, é preciso políticas de crescimento económico e criação de emprego e para os países sob resgate, como Portugal, é fundamental a descida dos juros, não é sustentável, não é aceitável e não há nenhuma razão para que Portugal gaste tanto com os encargos da dívida pública como com o Serviço Nacional de Saúde", alega Edite Estrela.

Já o eurodeputado do PSD Paulo Rangel diz que algumas decisões na Europa não têm avançado pelos condicionalismos eleitorais da Alemanha, que as legislativas de 22 de setembro irão desbloquear: "Julgo que haverá aqui uma certa flexibilização de uma posição mais intransigente que as autoridades alemãs têm tido até ao momento", afirmou.

"Algumas medidas, porque não são fáceis de explicar à opinião pública alemã, não podiam ser subscritas pela Alemanha neste último ano, porque é um ano pré-eleitoral, isso valia para todos os partidos mas em particular para a CDU e o SPD, portanto, neste primeiro ano de um novo Governo, seja um governo com a mesma cor, seja um governo de Bloco Central, como muita gente espera, penso que haverá alguma aceleração", sustenta Rangel.

O eurodeputado social-democrata considera que "os países numa situação mais difícil terão com certeza um cenário antes das eleições e depois das eleições alemãs", mas alerta contudo para a força de instituições como o Tribunal Constitucional ou o Banco Central da Alemanha, que "não vão mudar".

Nuno Melo, do CDS-PP, espera que "contados os votos e sabendo-se quem vence se possam acertar agulhas" e ter "um discurso centrado em políticas de crescimento e emprego", temas até agora "não centrais no discurso político alemão porque poderiam redundar em perda eleitoral".

O eurodeputado democrata-cristão afirma que "independentemente de ser exigível" aos países sob resgate "que executem reformas estruturais e reponderem gastos, há também uma resposta que deve ser europeia para políticas de crescimento e emprego", até porque "neste momento são muitos os países da União Europeia em recessão e a própria Alemanha estava tecnicamente em estagnação".

Pelo BE, a eurodeputada Marisa Matias "não espera mudança nenhuma" quanto ao desempenho da Alemanha no quadro europeu e critica que a União Europeia esteja "em suspenso à espera das eleições alemãs": "Isso é reflexo de um dos efeitos mais perversos dos últimos anos do desenvolvimento ademocrático das instituições europeias nos últimos tempos, é a prova de que estamos de facto a viver num diretório".

"Sabendo que Merkel vai ganhar, e que será seguramente convidada para assumir o poder enquanto chanceler, sabemos que a austeridade é para continuar e que não haverá grandes mudanças nas políticas europeias atuais", acrescenta.

O eurodeputado do PCP João Ferreira também não espera mudanças no plano europeu e defende que "mais importantes são as eleições autárquicas", criticando o hábito de que "nos últimos tempos a que se deposite na Alemanha e nos alemães a responsabilidade do que nos acontece em Portugal".

"O futuro próximo e mais longínquo de Portugal depende dos próprios portugueses", afirma o comunista, que se insurge contra "a distribuição de poder no Conselho e no Parlamento Europeu que é muito desfavorável a países como Portugal, mas que só aconteceu porque governantes o aceitaram no Tratado de Lisboa".

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