PS vence por cerca de quatro pontos, abstenção atinge recorde

O PS venceu as eleições europeias de domingo, com uma margem inferior a quatro pontos percentuais sobre a Aliança Portugal (PSD/CDS-PP), e a abstenção atingiu o valor recorde em eleições em Portugal.

A CDU conseguiu um dos seus melhores resultados de sempre -- e deverá passar de dois para três eurodeputados -, o BE caiu para menos de metade em relação a 2009 e a surpresa da noite foi o resultado do MPT -- Partido da Terra, com a eleição pelo menos do`seu cabeça de lista, António Marinho e Pinto.

Às 00:45, quando faltavam apurar quatro mandatos e uma freguesia, o PS tinha eleito sete eurodeputados, a Aliança Portugal (PSD/CDS) seis, a CDU três, o MPT e o Bloco de Esquerda um cada e a abstenção cifrava-se em 66,09%.

De acordo com os resultados provisórios, com 31,45%, o PS fica longe da sua melhor votação em europeias (mais de 44% em 2004). Coligados, o PSD e o CDS-PP conseguiram 27,7%, menos do que o PSD sozinho em 2009, quando conseguiu oito assentos no Parlamento Europeu e o CDS-PP dois. Os populares não deverão conseguiram eleger o seu segundo eurodeputado.

Em relação a 2009, quando perdeu as eleições com 26,58% dos votos, o PS ganhou cerca de 85 mil votos e a maioria perdeu mais de meio milhão em relação a umas eleições em que concorreram separados.

PS e Aliança Portugal fizeram leituras opostas dos resultados da noite de domingo: enquanto o secretário-geral socialista, António José Seguro, disse que "o Governo chegou ao fim", desafiando os responsáveis políticos a tirarem consequências dos resultados, o líder do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que a missão do executivo "é levar a legislatura até ao fim".

Na mesma linha de Passos Coelho, o líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse que os resultados não permitem triunfalismos ao PS e argumentou que a expressão da abstenção não permite dizer que houve "um voto a pedir eleições antecipadas".

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou, na sequência dos resultados das eleições, a apresentação de uma moção de censura ao Governo, que será formalizada no parlamento esta semana, um instrumento que o PS disse que nunca ponderou utilizar por se tratar de "um frete" ao Governo, que dispõe de maioria absoluta na Assembleia da República.

Um dos partidos derrotados da noite foi o Bloco de Esquerda, que deverá passar a ter um único eurodeputado (contra três em 2009), com a coordenadora Catarina Martins a admitir que "todos os partidos retiram consequências políticas de todos os resultados" e que o Bloco vai refletir.

António Marinho e Pinto, cabeça de lista pelo MPT, protagonizou a surpresa destas eleições, ao somar mais de 7%, com a sua eleição e possibilidade de eleger ainda o segundo.

A abstenção ficou acima dos 66%, atingindo o valor mais alto de sempre em eleições em Portugal. Até agora, o recorde tinha sido alcançado em 1994, quando, também em eleições europeias, 64,46% dos eleitores optaram por não votar.

Segundo a Direção-Geral de Administração Interna (DGAI), os quatro mandatos por atribuir nas eleições europeias de domingo estão dependentes da contagem dos votos provenientes do estrangeiro e não deverão ser conhecidos hoje.

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