"Podemos marcar debate político em Espanha"

O êxito do movimento cidadão Podemos, que com apenas quatro meses de vida se tornou na quarta força política mais votada em Espanha nas eleições europeias, está a marcar o debate político, com ofertas de pactos, insultos e críticas.

Liderado por Pablo Iglesias, um professor universitário que nos últimos meses se tornou num dos comentadores mais críticos do atual modelo económico europeu, o movimento Podemos obteve 1,5 milhões de votos (9,86%) e conseguiu eleger seis deputados.

Com apenas quatro meses de vida, o Podemos surge como um dos movimentos herdeiros dos protestos conhecidos como 15M, que durante vários meses ocuparam a Puerta del Sol em Madrid.

Praticamente todos os principais partidos reagiram já ao resultado, ainda que com posturas diferentes, com o debate a alargar-se agora ao ex-presidente do Governo Felipe González, que chegou a definir o Podemos com uma "alternativa bolivariana influenciada por algumas utopias regressivas".

PP e UPyD reagiram com fortes críticas ao movimento de Iglesias, o PSOE manteve-se em silêncio - apesar de o Podemos ter roubado muitos votos aos socialistas - e a Esquerda Unida (IU) sugeriu mesmo um possível pacto a pensar nas futuras eleições municipais e regionais espanholas (em 2015).

Paralelamente, forças nacionalistas conservadoras, como os catalães da CiU ou os bascos do PNV, têm manifestado dúvidas sobre a capacidade do movimento conseguir traduzir em futuras eleições o êxito registado nas europeias.

As críticas mais duras vieram, para já, do PP, no Governo, com a autarca Popular de Valência, Rita Barberá, a considerá-lo "um grupelho radical, anticonstitucional e antissistema" que "apoia as ditaduras de esquerda".

Para o presidente da Estremadura, José Antonio Monago, também do PP, é "tão mau" o aumento da extrema-direita em França como "da extrema-esquerda" em Espanha, comentários ecoados pela líder do UPyD, Rosa Díez, que comparou o discurso do Podemos ao do Syriza na Grécia mas com "coincidências enormes" com o da Frente Nacional em assuntos como o euro.

Alfonso Alonso, porta-voz parlamentar do PP, lançou um desafio depois do "extraordinário resultado" de domingo, afirmando que o Podemos tem agora que "passar da televisão ao mandato, do protesto à solução e da tertúlia à proposta".

Muito mais crítico, o sociólogo Pedro Arriola, um dos homens fortes das estratégias eleitorais do PP, considerou que o grupo formado por "freaks".

Igualmente crítico manifestou-se Felipe González, que depois de expressar preocupação pelos resultados eleitorais de domingo comparou o movimento cidadão aos movimentos bolivarianos da América Latina.

Comentários que foram fortemente criticados pelo deputado da Esquerda Unida (IU), Gaspar Llamazares, que acusou González de "menosprezar" os cidadãos, demonstrando que "as forças políticas tradicionais e em concreto o bipartidarismo" não entenderam a mensagem dos eleitores no domingo.

Podemos, disse, é a consequência da "marginalização de uma parte da sociedade com as políticas de austeridade e sobretudo a discriminação das gerações mais jovens".

Vários líderes da IU têm admitido um possível pacto à esquerda para as próximas eleições, criando uma alternativa aos dois principais partidos.

ASP // VM

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