PCP diz que "manobra em curso" agravará sufoco

O secretário-geral do PCP advertiu esta sexta-feira que a "manobra em curso" sobre a saída da troika "agravará o sufoco" dos portugueses e antecipou que o Conselho de Ministros de amanhã "vai sair mal" ao Governo.

"Ao contrário do que toda a propaganda quer fazer crer não há nem saída, e muito menos limpa, do abismo económico e social para o qual atiraram o País", afirmou Jerónimo de Sousa, em conferência de imprensa na sede do PCP, em Lisboa.

Questionado sobre quais as expetativas sobre o documento que o Governo vai aprovar no Conselho de Ministros de amanhã, o líder comunista afirmou que se trata de "uma manobra de propaganda" e antecipou que "vai sair mal a operação".

Jerónimo de Sousa lembrou que o PCP, "tal como fez antes da entrada de Portugal na CEE, tal como fez antes da adesão ao euro e tal como fez aquando da assinatura do 'pacto de agressão', alerta também agora para que a manobra que está em curso não aliviará, antes pelo contrário, agravará o sufoco que está a ser imposto ao País".

"O que se prepara em nome de uma falsa saída são as condições e instrumentos para manter Portugal submetido ao espartilho do défice e da dívida e sujeito à ditadura do que agora designam por mercados", acusou Jerónimo de Sousa.

Num balanço sobre a situação do País três anos após a assinatura do memorando de entendimento, Jerónimo de Sousa destacou "mais 670 mil desempregados, 470 mil empregos destruídos, 600 mil portugueses lançados na pobreza, mais de 200 mil" que emigraram e "quase cem mil empresas liquidadas".

"O que o Governo e também o PS omitem é que a pretexto da chamada consolidação orçamental que pretensamente advogam, não só Portugal não está 'livre' como continuará num regime de liberdade condicional e sob escrutínio dos especuladores e do grande capital", considerou.

Jerónimo de Sousa alertou ainda para o "objetivo claro" do Governo de "reduzir o salário ao osso", com a "tentativa da liquidação da contratação coletiva".

O secretário-geral do PCP apelou ainda ao voto na CDU nas eleições europeias de 25 de maio para "dar mais força à defesa dos interesses do País" e "condenar o atual rumo da política nacional".

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