Passos garante não ter agenda de cortes "escondida"

Primeiro-ministro critica PS por "reconhecer" que não vai ser possível voltar aos níveis salariais de 2011 e, ainda assim, suscitar a fiscalização do Tribunal Constitucional de medidas "indispensáveis" ao equilíbrio das contas públicas.

Pedro Passos Coelho não tem dúvidas: "Aqueles que prometem facilidades, no fundo, o que prometem é um encontro inexorável com a insustentabilidade." E foi dessa lógica que o primeiro-ministro partiu, esta segunda-feira, na abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Viseu, para responder ao PS ainda a propósito das declarações de Óscar Gaspar de que não seria possível o País regressar aos níveis remuneratórios de 2011.

"Porque é que, então, nos dias em que não se reconhece essa incapacidade, se insiste em pedir a inconstitucionalidade dessas medidas? Parece uma contradição, não é?", questionou o líder dos sociais-democratas, em alusão ao anunciado pedido por parte dos socialistas de fiscalização sucessiva do agravamento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), insistindo que o Governo não tem qualquer agenda de cortes "escondida" para o pós-troika.

"Não há nada escondido, não há nada mais público do que isto. Os partidos que acham que há uma agenda escondida e não se devem fazer mais cortes têm de dizer se querem mais défice", desafiou Passos Coelho, num discurso em que lamentou o facto de "a proximidade de atos eleitorais ter sempre influência na forma como os políticos se comportam".

Perante dezenas de deputados da bancada 'laranja' e ainda da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, bem como dos candidatos às eleições europeias, Paulo Rangel, Fernando Ruas e Mendes Bota, Passos assegurou que os membros do Executivo são "obstinados com as nossas contas públicas" porque têm em vista a recuperação da economia e a criação de emprego.

Pelo meio, o chefe do Governo confessou ainda não saber - espera pela indicação das novas fórmulas de cálculo por parte do INE - do valor nominal para o défice de 2015, que poderá, segundo o próprio, oscilar entre 1,5 mil milhões até 2,5 mil milhões de euros. Em função disso, o Executivo terá de anunciar novos cortes - o que poderá acontecer ainda antes das europeias -, dado que o défice do próximo ano terá de cair para os 2,5% do PIB.

E, em resposta a António José Seguro, frisou ter uma visão de uma Europa de "responsabilidade", motivo pelo qual rejeita que a ideia de mutualização da dívida seja vista como um meio para os Estados "gastarem mais" e "endividarem-se mais".

"Há políticos que ainda defendem que a dívida acima de 60% devia ser de todos e para pagar a 60 anos com juros baixinhos. Alguém está à espera que uma decisão dessas possa algum dia ser tomada na Europa?", interrogou.

Antes da intervenção do primeiro-ministro, Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar, salientou que o "desígnio" do PSD passa por "recuperar o País", tendo salientado que só através de reformas estruturais se poderá garantir a sustentabilidade financeira, económica e demográfica. Isto porque, reforçou, "Portugal não quer mais troikas". "Vai ser pós-esta e pós-todas", afirmou.

Sobre as europeias, Montenegro demonstrou ambição: "A eleição de Mendes Bota - 9.º colocado na lista Aliança Portugal, encabeçada por Paulo Rangel - vai significar o resultado que ambicionamos nas europeias."

E dirigindo-se ao cabeça de lista garantiu que os candidatos ao Parlamento Europeu vão ter "108 soldados [os deputados] disponíveis" para os ajudarem na batalha eleitoral de 25 de maio.

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