Passos considera "não ser bom sinal" rejeitar Juncker

Pedro Passos Coelho manifestou ontem o apoio a Jean-Claude Juncker enquanto sucessor de Durão Barroso, na liderança da Comissão Europeia. O primeiro-ministro entende que a União Europeia daria um sinal que não serumuito mau sinal" se um nome que não constou das listas ao Parlamento Europeu vier a ser nomeado.

"Uma vez tendo o PPE ganho as eleições em termos da União Europeia, é natural que em torno dele se desenvolvam os primeiros esforços, no sentido de obter uma maioria qualificada, quer no conselho, quer no Parlamento Europeu", afirmou o primeiro-ministro, acrescentando que a opção dele é Jean-Claude Juncker e "isso não é segredo para ninguém".

No entanto, Passos Coelho admite que "tecnicamente é possível" que venha a ser proposto um nome fora das listas das Eleições Europeias. Mas se "a escolha acabar por recair" num nome "que não foi proposto por ninguém, não seria um bom sinal".

Passos lamentou a ainda que a extrema direita tenha ganho terreno "em alguns países", considerando que excluído o "caso isolado de França", não se verificou algo semelhante noutros países, nem na Europa "no seu conjunto".

O primeiro-ministro falava, em Bruxelas, no final da cimeira europeia, na qual os 28 mandataram Herman Van Rompuy para iniciar o debate com o Parlamento Europeu, para a sucessão de Durão Barroso. Entre os 28 há quem se oponha a qualquer ligação automática entre o resultado da eleição e a nomeação do presidente da Comissão Europeia.

É o caso do primeiro-ministro da Hungria, o qual também integra o Partido Popular Europeu. Viktor Orbán foi único a falar com clareza sobre o processo de nomeação do presidente do executivo comunitário, considerando que entre a escolha do presidente da Comissão e os resultados eleitorais não deve haver qualquer ligação "automática".

"Não tenho objecções pessoais contra Jean-Claude Juncker. O que estamos a discutir é o procedimento: automático ou não. O nosso ponto é que não deve existir qualquer ligação automática entre o resultado da eleição e a nomeação", afirmou.

Já o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy entende que quando o órgão que lidera "apresentar ao Parlamento um candidato a Presidente da próxima Comissão, deve fazê-lo tendo em conta os resultados das eleições, depois de consultas com o Parlamento".

A chanceler alemã não é clara no apoio a uma ligação directa entre o resultado eleitoral e a opção para a presidência da Comissão Europeia, embora Angela Merkel se manifeste "feliz" com a vitória do PPE e que "Jean-Claude Juncker seja o principal candidato à presidência da Comissão Europeia".

No entanto, Merkel entende que a "forma como será feita a nomeação" ainda é uma questão a "debater", nomeadamente sobre o modelo de "negociações com o Parlamento Europeu".

Para o presidente francês "não é altura para falar em nomeações". Mas apoia, desde já, cinco "prioridades" que deverão constar da agenda, quando o novo presidente assumir o mandato, como "o crescimento, ao emprego, à independência energética e sobre a protecção. É isso que as pessoas esperam de nós".

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, David Cameron entende que a União Europeia deve tirar consequências dos resultados eleitorais e dar início a uma "mudança", explicando que essa mudança deve demonstrar que Bruxelas se tornou "demasiado grande".

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