Passos Coelho sem medo do "julgamento" dos portugueses

Primeiro ministro lembrou esta noite que "falta um dia" para a saída da troika e acredita que os portugueses vão saber reconhecer esse esforço nas eleições. Atribuiu os louros da saída da troika ao Governo, à maioria parlamentar e aos portugueses

O primeiro-ministro participou esta noite pela primeira na campanha das Europeias para lembrar que "para os políticos as eleições são todas as importantes" e que não receia o "julgamento dos portugueses" no escrutínio de 25 de maio. Num jantar comício em Aveiro, Passos Coelho lembrou que "falta apenas um dia" para a saída da troika, agradecendo aos portugueses pelos "sacrifícios" feitos ao longo dos últimos três anos.

Apesar de reforçar a recuperação da soberania - que faz com que "Portugal não vá para estas eleições europeias de mão estendida" - Passos Coelho deixou clara a dependência do País quando recordou: "Não tenham dúvidas, muito daquilo que os parlamentos de cada país podem fazer, depende do que se passa no Parlamento Europeu, na Comissão Europeia e no Conselho Europeu."

Passos Coelho acredita que a "maioria dos portugueses" compreendeu os sacrifícios, ao contrário da "meia-dúzia dos que fazem uma algazarra grande".

Falando em jeito de encerramento do "ciclo troika", Passos tentou a reconciliação com o partido, o parceiro de coligação e os eleitores. Além de lembrar o esforço do Governo e da maioria parlamentar, o líder do PSD agradeceu aos portugueses, que afirmou terem "conseguido colocar os problemas do País à frente dos problemas políticos". O líder do PSD atacou ainda a "mesquinhez" da oposição, que acusou de ter um discurso "negativista" relativamente ao País. Passos acredita que estas eleições são "a oportunidade dos portugueses dizerem a Bruxelas que recuperaram a credibilidade". Passos Coelho - cuja foto a andar andar de barco num parque diversões correu há dias a imprensa - usou a figura da embarcação para analisar o País. "Nós não caímos no barco. Saímos do barco e estamos a caminhar pelo próprio pé".

No mesmo evento, o cabeça de lista da coligação PSD/CDS às europeias, Paulo Rangel, desafiou o PS a dizer que "investimentos públicos incluirá no programa de Governo que vai apresentar [hoje]". Rangel disse ainda que os socialistas não vão celebrar hoje a saída da troika, pois esta "dava-lhes jeito para fazer oposição".

Num jantar que teve a participação de mais de 1500 pessoas, o número um do CDS Nuno Melo na lista às europeias também subiu ao púlpito para dizer que a coligação está "a fazer uma campanha em crescendo, virada para as pessoas". O centrista garante que a coligação "não vira a cara às pessoas, mesmo quando o ambiente é hostil".