Municipais são primeiro desafio para coligação na Grécia

A coligação governamental na Grécia enfrenta hoje um primeiro teste face ao partido da esquerda radical 'Syriza', na primeira volta de eleições regionais, antes de uma segunda volta no próximo domingo, que coincide com as eleições europeias.

Este escrutínio, destinado a eleger 325 presidentes de câmara e 13 presidentes de regiões, vai permitir detetar as tendências do eleitorado face à coligação entre os conservadores da Nova Democracia (ND) do primeiro-ministro Antonis Samaras e o Partido Socialista Pan-Helénico (Pasok), que governa a Grécia há dois anos e agora anunciou uma "estabilização" política e económica após quatro anos de crise e austeridade.

"O voto de domingo será baseado nas características locais mas no fundo é uma prova de força entre os que toleram a política do governo e os que desejam enviar uma mensagem de protesto", considerou Thomas Gerakis, diretor do Instituto de sondagem Marc, citado pela agência noticiosa AFP.

A polarização das sondagens deverá acentuar-se na segunda volta, que decorre em simultâneo com as eleições europeias de 25 de maio. A ND está muito próximo do Syriza, que incarna a oposição à política de austeridade e tem beneficiado do colapso eleitoral do Pasok.

O grande confronto das eleições locais centra-se tradicionalmente na região de Atenas (Ática), que reúne 30% do universo eleitoral, em eleições com características muito específicas onde a popularidade dos candidatos e o balanço do seu trabalho autárquico são determinantes.

"O grande desafio do Syriza é derrotar o atual presidente da região, Yannis Sgouros", de centro-esquerda, apoiado pelo Pasok, um partido que agora anima uma coligação designada 'Elia' (Oliveira), sublinha o politólogo Ilias Nikolakopoulos.

"O contexto destas eleições locais é diferente das realizadas há quatro anos, quando o Pasok, então sozinho no poder, venceu em oito das 13 regiões do país ao beneficiar de alianças com os ecologistas e a esquerda radical", precisou Gerakis.

Para as cidades de Atenas e Salónica (a segunda maior cidade, no norte da Grécia), a vitória dos atuais presidentes de câmara, Georges Kaminis e Yannis Boutaris, apoiados pelo centro-esquerda, é considerada quase certa, ao garantirem um avanço de mais de sete pontos nas sondagens.

Na lista de candidatos à câmara de Atenas também se apresenta Ilias Kassidiaris, deputado e porta-voz do partido de extrema-direita 'Aurora Dourada', indiciado judicialmente como a maioria dos seus colegas por participação numa "organização criminosa", após duas mortes atribuídas a membros do partido. Está creditado com 12,1% as intenções de voto e surge na quarta posição.

De acordo com o responsável pelo instituto de sondagens, e atendendo ao atual descrédito dos políticos gregos que está associado à crise e às duras medidas de austeridade, a abstenção deverá situar-se nos 60%, à semelhança do que sucedeu nas anteriores eleições locais de 2010.

No entanto, os eleitores deverão mobilizar-se para as europeias, um fator que poderá beneficiar as eleições locais, e em particular na segunda volta.

Exclusivos