Merkel apoia Juncker mas privilegia "consenso" europeu

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou hoje que privilegia o consenso dos líderes dos 28 na escolha do próximo presidente da Comissão Europeia, admitindo que seja uma decisão "controversa", mas sublinhando ser esse "o espírito europeu".

Merkel, que falava em conferência de imprensa após um encontro em Berlim com o homólogo georgiano, Irakli Garibashvili, foi questionada acerca de notícias que dão conta de divergências entre líderes europeus sobre a designação do luxemburguês Jean-Claude Juncker, candidato do Partido Popular Europeu (PPE).

A chanceler afirmou que em "todas as conversas" que mantém tem trabalhado para que Juncker obtenha o apoio da maioria no conselho europeu e que uma tal decisão, mesmo que "controversa", seria tomada no "espírito europeu" de encontrar "o mais alto nível de consenso".

"É mais importante o raciocínio do que a rapidez", disse Merkel, que afirmou publicamente apoiar Juncker, mas voltou desta forma a abrir a possibilidade de ser outro o escolhido.

A revista alemã Der Spiegel noticiou no sábado que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, terá afirmado na reunião informal de líderes europeus da semana passada que, se Juncker for o escolhido, o Governo de Londres pode ver-se obrigado a antecipar o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE).

"Não me é indiferente que, por exemplo, o Reino Unido seja membro da UE ou não", disse Angela Merkel, reforçando o que foi dito horas antes pelo seu porta-voz, Stefan Seibert, de que nem a chanceler nem o seu Governo são "indiferentes" e que, pelo contrário, estão "convencidos de que o Reino Unido pertence à UE".

Jean-Claude Juncker foi designado candidato à presidência da Comissão Europeia pelo PPE, o partido político europeu mais votado nas eleições europeias de maio, as primeiras realizadas com o Tratado de Lisboa em vigor, que estipula que o resultado eleitoral deve ser tido em conta na escolha do presidente da Comissão.

A escolha do nome cabe ao conselho europeu, onde é necessária uma maioria qualificada, que o submete depois à votação do Parlamento Europeu, onde tem de ser aprovado por pelo menos metade (376) dos 751 eurodeputados eleitos.

Além de David Cameron, segundo fontes europeias citadas por diferentes 'media', o Presidente francês, François Hollande, e os primeiros-ministros da Hungria, Suécia e Finlândia opõem-se à designação de Juncker.

Segundo o tabloide alemão Bild am Sonntag, Hollande está a tentar bloquear a escolha de Juncker para que o cargo seja assumido pelo seu ex-ministro das Finanças, Pierre Moscovici, no que seria um sinal de apoio ao seu Governo, derrotado pela extrema-direita nas europeias de maio e nas municipais de março.

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