Londres apoiará candidato que "compreenda" necessidade de reformar UE

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou hoje que apoiará o candidato a presidente da Comissão Europeia que "compreenda" a importância de reformar a União Europeia (UE) para a tornar menos burocrática e mais competitiva.

Numa declaração transmitida pelo seu porta-voz, o chefe do governo britânico disse que prefere não falar de nomes, mas de candidatos com as prioridades que considera adequadas.

"A sua perspetiva é centrar-se nas prioridades para a Comissão Europeia, para que haja candidatos que compreendam isso", disse o porta-voz, citado pela agência EFE.

Vários 'media' europeus noticiaram nos últimos dias a oposição de David Cameron, nunca assumida oficialmente pelo governo de Londres, à designação de Jean-Claude Juncker, escolhido como candidato oficial do Partido Popular Europeu (PPE), o partido europeu mais votado nas eleições europeias de maio.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que já tinha assumido o seu apoio a Juncker mas afirmado privilegiar a obtenção de um consenso, considerou hoje "inaceitável" que as "reticências" de alguns Estados membros, "por exemplo o Reino Unido", sejam desvalorizadas.

"Não partilho dessas reticências, mas também digo claramente que considero grosseiramente irresponsável e, na verdade, inaceitável a ligeireza com que alguns dizem que pouco importa que o Reino Unido aprove ou não aprove (Juncker) ou seja ou não membro" da UE, disse Merkel num discurso na câmara baixa do parlamento alemão (Bundestag).

"É tudo menos indiferente ou pouco importante", insistiu.

Segundo a revista alemã Der Spiegel, David Cameron terá afirmado na reunião informal de líderes europeus da semana passada que, se Juncker for o escolhido, o governo de Londres pode ver-se obrigado a antecipar o referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE, porque a escolha do luxemburguês não assegura uma reforma de uma Europa que é "demasiado grande, demasiado mandona e demasiado intrometida".

Cameron, que prometeu realizar um tal referendo se vencer as eleições britânicas de 2015, defende nomeadamente uma maior liberalização do mercado único europeu, a redução da burocracia e a restrição da liberdade de circulação.

Segundo o presidente do conselho europeu, Herman Van Rompuy, os líderes europeus deverão discutir a sucessão de José Manuel Durão Barroso à margem da Cimeira do G-7, que se realiza hoje e quinta-feira em Bruxelas.

Do G-7, o grupo das sete maiores economias mundiais, fazem parte quatro líderes europeus: Angela Merkel, David Cameron, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi.

A escolha do presidente da Comissão Europeia tem cabido ao conselho europeu, que reúne os chefes de Estado e de governo dos 28, mas a entrada em vigor do Tratado de Lisboa introduziu uma nova regra, segundo a qual o conselho deve "ter em conta" os resultados das eleições para o Parlamento Europeu (PE).

MDR // EL

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG