Jerónimo quer "enfraquecer" PS e desvaloriza BE

Secretário-geral do PCP, recebido com muito entusiasmo na Baixa da Banheira, desafia os socialistas a assumirem o erro de terem assinado o memorando. Quanto aos bloquistas, diz que "cada um que pedale a sua bicicleta".

Nem a chuva a chuva miudinha que, a espaços, se fazia sentir impediu uma receção muito calorosa a Jerónimo de Sousa por parte da população da Baixa da Banheira. O secretário-geral da CDU encabeçou um pelotão que até foi crescendo ao longo da arruada na localidade do concelho da Moita e até levou a que algumas senhoras com que se cruzou se emocionassem.

Durante a marcha, as idosas amontoavam-se para cumprimentar o líder comunista, um carro chegou a parar para que o condutor lhe endereçasse palavras de incentivo, as pessoas vinham às janelas para fazer adeus e os comerciantes, como vem sendo habitual, lamentavam o novo aumento do IVA.

Embalado, Jerónimo de Sousa falou aos jornalistas sobre os objetivos da campanha para as europeias de domingo. Menos taxativo que João Ferreira, que na véspera assumira que a coligação PCP/PEV pretende chegar aos três eurodeputados, o secretário-geral comunista vincou: "Quanto mais deputados tivermos, menos terá a troika."

Porém, é aos socialistas que Jerónimo mais aponta. "O objetivo é derrotar a direita, mas temos a intenção de enfraquecer os partidos da troika nos quais também se inclui o PS", referiu, sinalizando não poder permitir que "o PS se liberte das suas responsabilidades", como por exemplo da assinatura do memorando.

Na intervenção no final da arruada, o líder do PCP desafiou António José Seguro a "retirar a assinatura do PS" de documentos que têm sido nefastos para o País e que "admita que [o partido 'rosa'] se enganou" em relação ao resgate financeiro e à austeridade. "Que política quer para o futuro?", insistiu, assinalando que há dirigentes no Largo do Rato "a afirmarem coisas muitos graves" sobre a CDU e também ser normal que "o crescimento" da coligação "preocupe o PS".

Confrontado pelos jornalistas com o facto de ainda não se ter referido ao BE nesta campanha eleitoral, Jerónimo falou em "diferenças saudáveis", mas foi claro: "Todas as nossas preocupações fossem essas. Não está na nossa linha de intervenção e de combate. Cada um que pedale a sua bicicleta."

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