João Ferreira lembra legado de Sócrates e ataca PS

Cabeça de lista da CDU desvaloriza as 80 propostas de Seguro, recordando que também o antigo primeiro-ministro prometera criar 150 mil postos de trabalho em 2005 e deixou o Governo com mais 250 mil desempregados no País.

João Ferreira juntou este domingo a sua voz ao coro de críticas a José Sócrates. Ainda que o tenha feito para condenar as 80 "promessas" apresentadas na véspera por António José Seguro, o cabeça de lista da CDU às eleições europeias vincou que em período de campanha as palavras valem o que valem.

"Nós sabemos o que valem as promessas em campanha eleitoral", lamentou o eurodeputado, recuperando palavras do ex-primeiro-ministro socialista, que em 2005 garantira que, caso chegasse ao Governo, iria criar 150 mil postos de trabalho. Em contraponto, assinalou João Ferreira, "deixou mais 250 mil desempregados no País" quando abandonou o Executivo.

No final de um jantar com apoiantes em Torres Vedras, o cabeça de lista da coligação PCP/PEV manteve a tese de que o documento que Seguro apresentou, o "Contrato de confiança", é pouco mais que "outra forma de dizer que [os socialistas] não se comprometem a devolver os rendimentos roubados aos portugueses" e também "a reafirmação do compromisso com o tratado orçamental", com a austeridade e com "a mesma política".

Convidando os presentes a lerem as 80 propostas, João Ferreira reforçou ainda acerca de possíveis privatizações: "Ainda põem a hipótese de alienar mais recursos públicos e património nacional."

Por isso, de acordo com candidato comunista, votar no PS, PSD ou CDS "é uma e a mesma coisa", o que o motivou a referir que o "entra e sai" e o "rotativismo" entre aquelas três forças deve acabar. "Entra e sai", esse, que João Ferreira, a rematar, critica por um outro efeito: "Saem do Governo e vão para os conselhos de administração das empresas."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.