João Ferreira critica promessas do PS aos reformados

Cabeça de lista da CDU diz que não basta Seguro anunciar que quer acabar com a "TSU dos pensionistas", exigindo a devolução dos "rendimentos roubados" ao longo dos últimos três anos.

João Ferreira nem quer ouvir falar da extinção da contribuição de sustentabilidade, a "TSU dos pensionistas, como lhe chamou António José Seguro. Para o cabeça de lista da CDU às eleições europeias do próximo domingo não basta que o PS faça essa promessa, mas antes que se comprometa a devolver "todos os rendimentos retirados" aos reformados durante os últimos três anos.

"As formas de roubo não ficaram por aí", afirmou num almoço com largas dezenas de reformados em Aljustrel, apontando os aumentos do IRS e do IVA, das taxas moderadoras na saúde, das comparticipações em medicamentos, os cortes nos transportes públicos, a lei das rendas ou as reduções diretas nas pensões como exemplos do "ataque" aos idosos.

E enquanto dirigia as críticas aos socialistas alguns dos apoiantes da CDU presentes no salão do Sindicato dos Mineiros lá atiravam "eles [PS, PSD e CDS] são iguais, são farinha do mesmo saco". Embalado, João Ferreira lembrou propostas do PCP no Parlamento - que socialistas, sociais-democratas e centristas chumbaram -, nomeadamente o aumento de 4,5% (25 euros no patamar mais baixo) para todas as reformas.

Já no que respeita a domingo, o eurodeputado pediu uma mobilização massiva, pois "é preciso que todos os votos lá entrem". O objetivo já é conhecido, isto é, eleger um terceiro eurodeputado - meta que reiterou - e o candidato até terminou com uma toada pedagógica sobre o espaço em que as pessoas devem colocar a cruz: "É mais fácil contar de baixo do que contar de cima, o quadrado é o terceiro a contar de baixo." Isto para prevenir eventuais confusões entre os logótipos da CDU e do PCTP/MRPP.

Já depois da intervenção, João Ferreira ainda teve tempo para ouvir quem lhe gabasse a aparência, neste caso uma das cozinheiras: "Ai, quem ali está! Eu já nem consigo lavar a louça..."

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Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.