João Ferreira "à caça" do voto entre jovens céticos

Cabeça de lista da CDU visitou Escola Profissional de Salvaterra de Magos e ouviu algumas preocupações dos alunos, que, de um modo geral, demonstraram grande desinteresse pelas eleições de dia 25.

"Se conseguimos fazer o que queremos com os LED [díodos emissores de luz], também conseguimos fazer com o País." Foi desta forma que João Ferreira se dirigiu a Carlos Gonçalves, aluno de eletrónica na Escola Profissional de Salvaterra de Magos, que esta segunda-feira apresentava ao cabeça de lista da CDU um projeto que afirmava poder vir a servir para "painéis publicitários e marketing". Aos 19 anos, o jovem recusa a emigração e confessa estar "interessado" nas eleições europeias do próximo dia 25, mas admite ser uma exceção entre os seus pares.

Mariana, mais retraída, concluía um projeto de fim de curso. A caixa de correio eletrónico que terminava avisará automaticamente sempre que nela seja colocada uma carta. E não fecha a porta a vir a utilizá-la na sua própria casa.

João Ferreira pegou nos projetos e nos dois exemplos para lembrar que "há dez anos os jovens não viviam no paraíso, mas também não enfrentavam uma situação tão difícil" no que ao acesso ao mercado de trabalho diz respeito, sublinhando ainda a necessidade de recuperação de empresas estratégicas em vários sectores da nossa economia. Mas nem esses alertas despertaram as consciências dos cerca de 100 estudantes que depois o ouviram no auditório da escola.

Entre palmas, mas também bocejos e burburinho, o candidato lá reiterou a ideia de que "cada deputado a mais da CDU será um a menos das forças que são iguais e estão lá a fazer coisas negativas para o País" e também de que "só há uma maneira de nos libertarmos da chantagem dos mercados", isto é, pela via da "recuperação da soberania económica", voltando ao escudo.

As eleições são para o Parlamento Europeu, mas houve até quem perguntasse a João Ferreira o que faria se fosse primeiro-ministro. Uma questão que ilustrou o desinteresse e alheamento dos jovens em relação à política, que o professor Emílio Coelho salientou e explicou. Antes, destacou, já ali estivera outra força política (o BE) e "no fundo, todos dizem a mesma coisa". Se PS e PSD "afinam pelo mesmo diapasão", outros deveriam dizer, por exemplo, que papel exigem ao Banco Central Europeu (BCE) em tempos de crise.

Rebatendo a crítica, João Ferreira referiu que a CDU defende "a alteração de estatutos do BCE", que quer ver os estados em condições de igualdade no acesso ao financiamento - denunciou a "distorção" da intermediação obrigatória dos bancos comerciais - e salientou que "a dívida portuguesa foi dos negócios mais rentáveis" dos últimos tempos.

Sobre o desafio do docente em relação a uma harmonização fiscal ao nível comunitário, o eurodeputado da coligação PCP/PEV foi claro: "Não nos ouviu, nem vai ouvir dizer nada.

Esclarecidos, mas pouco mobilizados, os jovens abandonaram o auditório mal soou a campainha. Até porque entre os presentes poucos tinham idade para votar.

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