Jerónimo pede "pancadão eleitoral" ao Governo

Secretário-geral do PCP diz que direita chegou ao poder porque o Executivo de Sócrates estava "mal visto como o diabo" e vinca que PS "fica com pele de galinha" com as críticas da CDU.

Jerónimo de Sousa vê nas eleições europeias deste domingo a oportunidade ideal para que os portugueses "penalizem" e "castiguem" o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas, pedindo mesmo um "pancadão eleitoral" ao Executivo. Esta terça-feira, o secretário-geral do PCP encerrou um comício em Alhandra no qual reiterou a meta da CDU: "Eleger mais deputados é mesmo uma aspiração, uma possibilidade, um objetivo. Não é utópico reforçar as nossas posições [em Bruxelas]."

Na intervenção, perante algumas centenas de apoiantes da coligação PCP/PEV, o líder comunista vincou que a direita chegou ao poder com base em "enganos", "falácias" e "conversa fiada", regressando a 2011 para também atacar o PS. "O PS estava mal visto como o diabo por causa daquela governação desastrosa de Sócrates e as pessoas pensaram 'aí vem a direita responsável'", lamentou.

Mas as críticas não se ficaram por aí. O PS, que tem sido o alvo preferencial durante a campanha, falou de "sectarismo maximalista" e Jerónimo devolveu a simpatia, ao salientar que o partido "rosa" "fica com pele de galinha" quando a CDU o ataca. E desafiou ainda António José Seguro e Francisco Assis a fazerem "um ato de contrição, um pedido de desculpa aos portugueses" por terem amarrado o País ao memorando de entendimento.

Num toada de mobilização popular, Jerónimo lançou o repto a todos os apoiantes para também serem "candidatos" e atirou em jeito de brincadeira: "Estão à espera que o João Ferreira e a Inês [Zuber] façam tudo?"

No que à votação de domingo diz respeito, o secretário-geral do PCP ainda explicou que para votar na CDU é preciso procurar "a foice e o martelo mas também o girassol" no boletim de voto, deixando uma provocação àqueles que aponta como "símbolos que tentam meter a foice em seara alheia" - alfinetada ao PCPT/MRPP.

Já o cabeça de lista na corrida ao Parlamento Europeu, frisou que "não há leituras inteligentes do tratado orçamental", pelo que defendeu categoricamente uma desvinculação de um documento que contou com as rubricas de PS, PSD e CDS. "Não queiram fazer os portugueses de estúpidos", rematou.

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Anselmo Borges

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