"Europeias vão ser plebiscito nacional contra o Governo"

O fundador do CDS, partido que integra a coligação no Governo, considera que as eleições europeias do próximo domingo vão ser um "plebiscito nacional" contra a política do Executivo de Passos Coelho e Paulo Portas: "Os portugueses que forem votar - e as abstenções também já são um sinal - aproveitarão para mostrar um cartão amarelo muito forte, talvez com tons encarnados, ao Governo e dizer: 'Estamos descontentes'. Se somarmos a abstenção e todos os votos noutros partidos e os confrontarmos com os votos na Aliança Portugal [PSD-CDS], acho que vai ser um plebiscito nacional contra o Governo."

Para Freitas do Amaral, se o PS tiver uma vitória expressiva, Cavaco Silva poderá antecipar as eleições legislativas: "Embora o Presidente da República não tivesse obrigação de dissolver a Assembleia da República e pudesse legitimamente optar por manter o calendário até 2015, as pressões vindas de todos os lados seriam enormes. Porventura, também dentro da coligação, e não sei até que ponto o CDS não alinharia nesse pedido de eleições antecipadas." O ex-dirigente do CDS considera que "tem havido sinais nos últimos dois ou três meses de que as coisas voltam a estar tremidas entre o PSD e o CDS" e que o "CDS está muito inquieto, não apenas Paulo Portas mas também na direção e nas distritais."

Segundo Freitas do Amaral o principal perigo das europeias é o crescimento de forças de extrema-direita e de extrema-esquerda em vários países da União Europeia. Quanto a surpresas eleitorais em Portugal, o jurista considera que poderiam acontecer se o PCP e o Bloco de Esquerda se se entendessem: "Aí, o seu ruído de protesto podia atingir os 25% facilmente. Como não se entendem, vamos ter o PCP a subir um pouco e o Bloco a descer um pouco, mas sem constituir uma força unitária com efeitos eleitorais. É por isso que as pessoas também se vão refugir na abstenção: não encontram à direita nem à esquerda movimentos suficientemente grandes e afastados do sistema para que valha a pena apostar neles." Acrescenta que nem o PCP nem o Bloco cumprem o seu papel de partidos de esquerda: "Estão a cumprir do ponto de vista do respeito pelos seus programas, não na almejada unidade de esquerda porque sobrepõem o que os separa ao que os poderia unir."

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