CDU faz queixa à CNE contra "interferência do Governo"

João Ferreira considera que Conselho de Ministros e anúncio do documento de estratégia de médio prazo no dia 17 de maio "exorbitam as funções regulares" do Executivo. Cabeça de lista acusa ainda Francisco Assis de estar "inquieto".

O cabeça de lista da CDU às eleições europeias do próximo dia 25 confirmou esta segunda-feira que a coligação vai apresentar uma queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE) devido ao Conselho de Ministros convocado para dia 17, após o qual será anunciado pelo Governo o documento de estratégia de médio prazo. Para João Ferreira, não há dúvidas que estamos perante uma "tentativa de interferência ilegítima e ilegal [do Executivo de Passos Coelho] no processo eleitoral".

"Claramente exorbita as funções de mera atividade regular que a lei atribui ao Governo", observou o candidato, que no primeiro dia oficial de campanha assinalou ainda "estar em causa [que os partidos] se sirvam de um órgão de poder para interferir numa fase crucial" da corrida ao Parlamento Europeu. Por isso, João Ferreira espera "naturalmente" que a CNE tome uma posição sobre o assunto.

O dirigente comunista falava em Coimbra, antes de iniciar um encontro com representantes da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), onde apontou novamente o dedo ao PS por ter estado "ao lado" de PSD e CDS na reforma da política agrícola comum (PAC), elencando vários pontos em que os agricultores portugueses saíram penalizados e defendendo também a necessidade de implementação do "princípio de preferência nacional" para produtos do sector. Isto com o intuito de que o mercado interno não seja "encharcado" com bens importados a "preços ruinosos" para os profissionais portugueses.

No braço de ferro com Francisco Assis, atirou que nota "inquietação" do lado contrário e questionou a propósito das críticas do cabeça de lista socialista: "Não deveria o PS estar mais preocupado em combater as políticas do Governo?"

Isto porque, na véspera, o socialista pedira que "os partidos à esquerda" dedicassem "tanto tempo a combater" os partidos da coligação "Aliança Portugal" quanto o que gastam "a atacar o PS".

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