Candidato português a comissário deve refletir resultado das eleições europeias, diz António Vitorino

O socialista António Vitorino defendeu hoje que a escolha do candidato português a comissário europeu deve refletir o resultado das eleições europeias de maio, porque "há que ter em conta a expressão da vontade popular".

"A minha interpretação é a de que os tratados estabelecem, e bem, uma ligação entre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e a escolha que o Conselho Europeu fará do futuro presidente da Comissão, e, quando se trata de escolher comissários, não é possível ignorar o sentido político do resultado das eleições para o Parlamento Europeu a nível nacional", afirmou o antigo comissário europeu, em Bruxelas.

Vitorino, que falava aos jornalistas depois de ter participado num debate organizado pelo eurodeputado do PSD Paulo Rangel sobre as relações entre o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia, advertiu contudo que "não há nenhuma ligação direta e automática entre uma coisa e a outra".

"O que há é ter em consideração o aspeto político da expressão da vontade popular, se queremos que verdadeiramente os cidadãos se reconciliem com o ideal europeu (...) Não há nenhuma automaticidade, mas, obviamente, do ponto de vista político, não se pode ignorar a vontade dos eleitores, nem a nível europeu, nem a nível nacional", afirmou.

Questionado sobre se dessa forma caberia ao PS, caso vencesse as eleições para o Parlamento Europeu, indicar o nome do candidato português para o executivo comunitário, António Vitorino não quis comentar.

"Eu vim fazer uma intervenção sobre o futuro ciclo político europeu, as considerações de política interna eu reservo-as para Portugal", afirmou o também ex-ministro da Defesa do PS.

Vitorino considerou ainda que o novo método de indicação pelos partidos do candidato a presidente da Comissão Europeia "vai obrigar os partidos portugueses que estão filiados no Partido Popular Europeu a pedalar muito entre março e maio para fazerem conhecer o seu candidato".

"Acho que a ideia de propor uma cara ligada a um programa é positiva, corresponde por exemplo à democracia mediática em que vivemos e corresponde à ideia de que não há um distanciamento entre as instituições europeias e os cidadãos", sustentou.

O ex-dirigente do PS disse ainda esperar que o processo de escolha "não conduza a nenhum impasse, pelo contrário, conduza à constituição de uma Comissão forte, porque a construção europeia está num ponto tão crítico e delicado que continua a exigir uma Comissão forte, capaz de garantir a igualdade entre os Estados".

Já sobre as afirmações de Ferro Rodrigues, ex-secretário-geral do PS, ao Expresso, em que defendeu que os socialistas têm de ter uma vitória inequívoca, Vitorino recusou igualmente pronunciar-se.

"Eu sou uma pessoa bem-educada, vim aqui com muito gosto, a convite do deputado do PSD Paulo Rangel, e nunca me passaria pela cabeça fazer declarações de índole partidária neste contexto", respondeu.

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