Bloco avisa que dia 25 é "dia de desobediência"

No comício- festa em Tomar houve palavras de ordem fortes. Desde a "intifada" contra a austeridade, à "desobediência" e à promessa de um "acerto de contas" no dia das eleições.

A música suave de Carlos Mendes serviu só para os oradores começarem a aquecer as palavras de ordem de combate que vinha aí. Helena Pinto, deputada do Bloco de Esquerda (BE)lembrou que estavam em Tomar, a "terra onde há 100 anos nasceu a primeira central sindical do país". Falava para uma sala quase cheia na sociedade Nabantina e mostrou de viva voz a sua revolta por haver "285 mil famílias que viram a sua eletricidade cortada por falta de pagamento, enquanto o Sr. Mexia (António Mexia, presidente da EDP) e os chineses tiveram lucros de 1005 milhões".

Depois veio Shahd Whadi, luso-palestiniana, pedir uma "intifada contra a austeridade", mas depois de ter sublinhado que o facto de estar ali, como candidato do BE, queria dizer que se estava "no bom caminho, um caminho em que uma mulher, jovem, refugiada palestiniana pode ter voz e que a solidariedade internacional está viva".

João Semedo, o coordenador nacional do BE, foi sintético nas palavras, mas iroinizou com as "pequenas divergências" entre o PSD/CDS e o PS. "A discussão entre ambos está centrado num discurso sobre se o que vai ser discutido nas eleições de dia 25 é a política do atual Governo ou do anterior, de José Sócrates", destacou. E explicou o que "realmente vai a votos": "é um acerto de contas com esta elite que nos quer empobrecer, com este Governo, com a austeridade, com a Sra.Merkel, Com Durão Barroso e com Pedro Passos Coelho".

Marisa Matias, recebida de pé, com todos os presentes a gritarem o lema da campanha "De pé!", começou por dar a notícia que todos os emigrantes que ainda não tenham residência fixa no país onde estão, podem votar nas embaixadas. "Não desistam do vosso país, apesar do Governo ter desistido de vós", asseverou.

Lembrou que "há uma alternativa à austeridade, que é a reestruturação da divida" e que "é preciso acabar com essa chantagem e medo imposto pelo discurso da dívida". Marisa sublinha que o BE "escolhe o país" e não servir os interesses financeiros da banca. No dia 25 "decidimos desobedecer. Desobedecer àà austeridade, desobedecer à Sra Merkel e ao Durão Barroso".

A cabeça de lista do BE quer que no dia das eleições europeias se "entre por um caminho de desobediência", lembrando que "nesse dia, a Sra.Merkel não vota aqui, nem manda aqui". A sala ergueu-se em bloco, bandeiras no ar e cantou "a Merkel não manda aqui, a Merkel não manda aqui, não manda aqui..."

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